Existem evidências reais de alterações retinianas relacionadas ao Covid-19?

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Recentemente foi publicada na The Lancet uma correspondência por Marinho et al. sobre alterações retinianas na Covid-19. Este mês, um grupo liderado pelo Dr. Demetrios Vavvas, do departamento de Oftalmologia da Harvard Medical School, escreveu um editorial na revista Eye interpretando esses achados. Apesar do grande interesse em entender potenciais complicações oculares da Covid-19, o grupo tem algumas preocupações em relação a interpretação da fundoscopia e dos achados da tomografia de coerência óptica.

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Características do estudo

Foram examinados 12 pacientes Covid-19 positivos confirmados por PCR ou sorologia com doença sistêmica típica porém sem sintomas visuais. A coorte era relativamente jovem (25-69 anos, não foi descrita a média/mediana) sem doença sistêmica grave, apesar de 2 terem sido hospitalizados. 11 dos 12 eram profissionais de saúde. Foi reportado que 4 dos 12 tinham lesões consistentes com manchas algodonosas súbitas, isto é, infartos da camada de fibras nervosas e foi ilustrado um exemplo da lesão.

O grupo do Dr. Demetrios chama atenção para o fato das manchas algodonosas poderem ser encontradas em um amplo espectro de doenças e não fica claro se os estudados tinham alguma comorbidade que poderia confundir essa análise. Além disso a lesão ilustrada poderia representar a mielinização da camada de fibras nervosas, o que não seria um achado anormal. A angiografia por OCT foi normal indicando que a lesão não teria aspecto patológico. Outra questão levantada é a de que o follow-up nesse caso seria essencial. A mancha algodonosa tende a desaparecer com 6-8 semanas enquanto a mielinização pode se manter inalterada. Sem essas análises seria difícil ter certeza da existência de uma mancha algodonosa patológica.

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Os autores também ilustram achados de OCT de 3 pacientes com faixas hiperreflexivas na retina interna que eles interpretam como anormal apesar da angiografia por OCT ter sido normal. Eles localizaram esses achados na camada plexiforme interna e camada de células ganglionares mas as imagens indicam localização somente na camada de células ganglionares. Os achados do OCT são de vasos na retina interna normais em termos de morfologia, reflectividade, localização e um estreitamento posterior associado característico dos achados normais de vasos no OCT.

Conclusão

Os autores não fizeram a refletância infravermelha proximal para confirmar que as faixas hiperreflectivas não representavam os vasos normais. Dessa forma, o grupo de Harvard acredita que o que foi relatado é incerto e essas manifestações devem ser esclarecidas e retificadas.

Autor(a):

Referências bibliográficas:

  • Vavvas, D.G., Sarraf, D., Sadda, S.R. et al. Concerns about the interpretation of OCT and fundus findings in Covid-19 patients in recent Lancet publication. Eye (2020).
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Publicado por
Juliana Rosa

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