Saúde Pública

Faltam evidências científicas sobre o uso de túneis e câmaras de desinfecção de pessoas, alerta a Anvisa

Tempo de leitura: 3 min.

Faltam evidências científicas sobre a utilização de estruturas como câmaras, cabines e túneis para desinfecção de pessoas com eficácia preventiva contra o novo coronavírus. O alerta foi divulgado através de uma nota técnica publicada no site da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no dia 13 de maio.

De acordo com a nota, outro problema se refere à duração de 20 a 30 segundos para o procedimento, que não seria suficiente para garantir o processo de desinfecção. Portanto, esse mecanismo não inativaria o vírus dentro do corpo humano, além de poder causar danos à saúde de quem se submetesse à desinfecção com saneantes aplicados diretamente na pele e nas roupas.

Procedimentos em hospitais e laboratórios

O documento diz ainda ser importante manter ambientes controlados, como hospitais e laboratórios de alta segurança, exigindo regras e protocolos diferentes, uso de produtos e procedimentos seguros, práticas rígidas de higienização das mãos, corpo, roupas, salas e utensílios, além de adotarem equipamentos de proteção individual (EPIs) muito específicos.

Outra preocupação se refere aos produtos químicos utilizados nos saneantes aprovados, que são destinados à limpeza e higienização de superfícies como móveis, bancadas, pisos, objetos e paredes, que ao entrarem em contato com a pele ou aplicados diretamente sobre ela, podem causar danos e efeitos adversos.

A inalação do peróxido de hidrogênio pode causar irritação no nariz, garganta e vias respiratórias, podendo provocar bronquite ou até mesmo edema pulmonar. Já a utilização dos quaternários de amônio pode causar irritação na pele e nas vias respiratórias, além de reações alérgicas.

Leia também: Associações médicas se manifestam contra o uso da hidroxicloroquina na Covid-19

A nota técnica também cita o gás ozônio, que até mesmo uma exposição leve ou moderada dessa substância pode produzir problemas nas vias respiratórias, irritação nos olhos e, em casos mais graves, levar ao óbito.

Essas conclusões são de uma revisão de documentos, estudos e artigos internacionais realizada pela Anvisa, que incluiu informações de fontes como a Organização Mundial da Saúde (OMS), a Food and Drug Administration (FDA), os Centers for Disease Control and Prevention (CDC) e a European Chemicals Agency (ECHA).

Túneis de desinfecção são instalados em cidades brasileiras

Alguns prefeitos brasileiros estão instalando túneis de desinfecção em suas cidades, como uma maneira de prevenção contra o novo coronavírus. A Prefeitura do Jaboatão, por exemplo, instalou o primeiro equipamento no Mercado das Mangueiras, no bairro de Prazeres, na semana passada.

De acordo com nota enviada pela prefeitura à imprensa, o equipamento foi doado e outros já estão sendo instalados em mercados públicos, no Complexo Administrativo da Prefeitura, mo Palácio da Batalha e no Hospital de Campanha.

A decisão se baseou em “parecer da Superintendência de Vigilância em Saúde e da Gerência de Vigilância Ambiental, que consideram que a OMS recomenda o uso de hipoclorito de sódio a 0,5% para desinfecção de diversos produtos, inclusive água para consumo humano”.

A prefeitura de Jaboatão disse ainda que as pessoas são orientadas a usar máscaras ao passar pelo túnel. Além de ser realizada a entrega gratuita àqueles que não têm a proteção. A princípio, os equipamentos devem continuar em operação na cidade até o final da pandemia.

Veja também: Covid-19 em pacientes graves: o que sabemos até agora?

Tendência mundial

Outras cidades em todo o mundo também aderiram à iniciativa, que foi observada na China e na Índia. Por lá, o Ministério da Saúde emitiu um alerta sobre os prejuízos que os túneis poderiam causar, causando a retirada desses equipamentos, segundo jornais locais.

No Brasil, o município de São Mateus, no Espírito Santo, voltou atrás após a publicação da nota da Anvisa. Uma empresa de Aracruz também cedeu às recomendações. As cabines de desinfecção ainda foram vistas em municípios como Rio de Janeiro, São Paulo, São Gonçalo (RJ), Sorocaba (SP) e Serra (ES).

*Esse artigo foi revisado pela equipe médica da PEBMED

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Referências Bibliográficas:

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Publicado por
Úrsula Neves

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