Farmacologia

Farmacogenética: adequando os medicamentos aos genes

Tempo de leitura: 3 min.

A Farmacogenética é uma área da farmacologia clínica que estuda como as variações presentes no genoma dos indivíduos podem influenciar na resposta aos medicamentos, tendo como objetivo personalizar o tratamento de acordo com as características genéticas de cada pessoa. Particularmente buscam identificar genes que: predisponham a doenças; modulem respostas aos medicamentos; afetem a farmacocinética e/ou farmacodinâmica de medicamentos; estejam associados a reações adversas.

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Variações e consequências

A grande variabilidade de resposta de pacientes ao mesmo medicamento se deve a diversos fatores, como: adesão terapêutica, estágio da doença, doenças sistêmicas associadas, dieta, estilo de vida e variações genéticas, dentre outros.  As diferenças quanto às respostas terapêuticas entre os indivíduos geralmente estão associadas com polimorfismos genéticos presentes em genes que afetam a farmacocinética ou a farmacodinâmica.

Os genes são constituídos basicamente de DNA, que é uma grande molécula, composta de sequências complexas de nucleotídeos (Adenina, Timina, Guanina, Citosina). Variações nestas sequências são denominadas polimorfismos genéticos e encontradas na população em geral de uma forma estável. As formas mais comuns de polimorfismos genéticos são: deleções; mutações; substituições de base única (SBU) ou variações no número de sequências repetidas.

Polimorfismos nos genes que codificam enzimas que participam do metabolismo hepático podem afetar as reações de fase I (oxidação, redução e hidrólise) e de fase II (conjugação, acetilação, glucoronidação, sulfatação e metilação), particularmente, as várias isoformas do citocromo P450.

Essas alterações podem gerar 3 fenótipos:

  • Metabolizadores lentos: indivíduos geralmente com diminuição ou ausência da enzima metabolizadora. Mais susceptíveis à toxicidade e reações adversas.
  • Metabolizadores intermediários: indivíduos que apresentam metabolismo “normal”, considerados como a maioria da população.
  • Metabolizadores rápidos: indivíduos com aumento na produção da enzima metabolizadora, podendo não atingir o efeito esperado para a mesma dose administrada para a maioria da população.

Atualmente, existem diversos testes de perfis farmacogenéticos que podem auxiliar o médico na prescrição de um medicamento, ajudando-o na recomendação da posologia, aumentando a eficácia do tratamento e reduzindo o risco de reações adversas. Os painéis farmacogenéticos utilizados para testes avaliam fármacos utilizados em diversos tipos de tratamento, como hipertensão arterial, alergias, doenças do aparelho respiratório, transtornos psiquiátricos (ansiedade, depressão, insônia, psicose, epilepsia, Alzheimer, Parkinson, TDAH), quimioterápicos, antibióticos, analgésicos, anticoagulantes, antiarrítmicos, hormônios etc.

Saiba mais: Genética médica: o que você sabe sobre essa especialidade?

A farmacogenética é um campo de pesquisa ainda em desenvolvimento, que pode trazer muitos benefícios à saúde pública, evitando reações adversas a medicamentos em subgrupos de pacientes geneticamente distintos, facilitando o desenvolvimento de novos medicamentos, reduzindo custos e riscos, auxiliando médicos na prescrição de medicamentos que terão maior eficácia e maior perfil de segurança.

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Referências bibliográficas:

  • Suarez-Kurtz G. Pharmacogenetic testing in oncology: a Brazilian perspective. Clinics (Sao Paulo). 2018 Oct 11;73(suppl 1):e565s. doi: 10.6061/clinics/2018/e565s.
  • Metzger IF, Souza-Costa DC, Tanus-Santos JE. Farmacogenética: princípios, aplicações e perspectivas. Medicina (Ribeirão Preto). 30 de dezembro de 2006 [citado 21 de setembro de 2021];39(4):515-21. doi: 10.11606/issn.2176-7262.v39i4p515-521
  • Roden DM, Van Driest SL, Mosley JD, Wells QS, Robinson JR, Denny JC, Peterson JF. Benefit of Preemptive Pharmacogenetic Information on Clinical Outcome. Clin Pharmacol Ther. 2018 May;103(5):787-794. doi: 10.1002/cpt.1035.
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Publicado por
Bruno Vilaça

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