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Fatores de risco para bacteremia comunitária por ESBL

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Infecções de corrente sanguínea por enterobactérias produtoras de betalactamases de amplo espectro (ESBL) são um problema mundial e carregam uma grande carga de mortalidade. Fatores de risco identificados para essas infecções incluem uso prévio de antibióticos, viagens a locais de alta prevalência de bactérias produtoras de ESBL, infecções recorrentes do trato urinário, uso de cateteres vasculares ou urinários, colonização prévia por produtores de ESBL e viver em condições de pobreza.

Bacteremia por enterobactérias produtoras de ESBL

Um amplo estudo populacional sueco procurou avaliar fatores de risco para bacteremias por enterobactérias produtoras de ESBL de origem comunitária, utilizando dados de um sistema nacional de vigilância de infecções por germes resistentes para identificação dos casos e os dados do registro nacional para seleção dos controles. Para cada caso, foram selecionados dez controles pareados por idade, sexo e local de moradia. Para a exposição a antibióticos, selecionaram-se dois controles para cada caso.

Foram identificados 637 casos, os quais foram pareados com 9390 controles. A média de idade dos casos de bacteremia por produtores de ESBL foi de 71 anos, sendo 41,1% em mulheres. A taxa de incidência de bacteremia por ESBL foi de 1,7 casos a cada 100.000 pessoas-ano, aumentando com a idade. A maior taxa observada foi nos indivíduos com ≥ 85 anos (8 casos a cada 100.000 pessoas-ano em mulheres e 15,8 casos a cada 100.000 pessoas-ano em homens).

Resultados

O risco foi maior conforme maior carga de comorbidades, sendo o grupo de desordens urológicas o de maior risco associado (OR ajustada de 4,32; IC 95% 3,41 – 5,47). Distúrbios imunológicos e neoplasias hematológicas também se apresentaram como fatores de risco para bacteremia comunitária por ESBL, com OR ajustadas de 3,54 (IC 95% 2,01 – 6,23) e de 2,77 (IC 95% 1,57 – 4,87), respectivamente.

Leia também: Uso de algoritmo auxilia no tratamento de bacteremia por estafilococos

Outras comorbidades associadas foram DPOC, diabetes, demência e neoplasias sólidas. A realização de procedimentos urológicos nos últimos 30 dias (OR ajustada de 6,23; IC 95% 4,84 – 8,00) e hospitalização no último mês (OR ajustada de 6,68; IC 95% 5,02 – 8,88) são outros fatores fortemente associados ao desfecho. O nível educacional não teve efeito no risco de desenvolvimento de bacteremia por ESBL.

Entre os casos, 59,3% receberam pelo menos um antibiótico nos últimos seis meses. Entre os controles, essa proporção caiu para 12,3%. Nenhuma classe específica de antibióticos foi associada com bacteremias por ESBL se seu uso havia sido há mais de três meses.

Entretanto, o mesmo não aconteceu com antibióticos usados mais recentemente: a OR ajustada foi de 2,94 (IC 95% 1,49 – 5,79) para uso de um antibiótico e de 4,87 (IC 95% 1,18 – 20,14) para 2 ou mais esquemas antibióticos consecutivos. A classe com maior risco associado foi a das fluoroquinolonas (OR 5,52; IC 95% 2,77 – 10,97), seguidas de penicilinas de amplo espectro (OR 2,84; IC 95% 1,04 – 7,72) e sulfametoxazol-trimetoprim (OR 2,78; IC 95% 1,14 – 6,78).

Veja ainda: Infecções por enterobactérias resistentes a carbapenêmicos: estratégias atuais

A mortalidade por todas as causas em 30 dias foi de 11,3% entre os casos e de 0,3% entre os controles, sendo idade avançada e maior índice de comorbidades fortemente associados com morte. Tumores sólidos, neoplasias hematológicas e cardiopatias crônicas são outros fatores associados com aumento na mortalidade. Nível educacional esteve fortemente ligado à mortalidade: ter ≤ 12 anos de educação esteve associado a mais do que o dobro de mortalidade do que ter > 12 anos.

Conclusões

Os resultados mostram taxas de incidência maiores em homens acima de 50 anos, indivíduos com desordens urológicas, realização de procedimentos urológicos nos últimos três meses e indivíduos com neoplasias. O uso prévio de fluoroquinolonas foi altamente associado a maior risco de bacteremia por ESBL, o que está de acordo com estudos anteriores. Além disso, o risco aumentou com a quantidade de esquemas antibióticos, formando uma curva dose-resposta. De forma interessante, a associação entre antibióticos e infecção por germes resistentes só foi observada quando a exposição havia sido nos últimos três meses.

O estudo apresenta algumas limitações, marcadamente a possibilidade de fatores confundidores que não poderiam ser controlados, como viagens a países de alta prevalência de ESBL ou moradia em instituições de saúde de longa permanência. Apesar disso, traz possíveis alvos de intervenções e identificação de populações sob risco de infecções por organismos resistentes.

Autor:

Referência bibliográfica:

  • Isendahl J, et al., Risk factors for community-onset bloodstream infection with extended-spectrum b-lactamaseproducing Enterobacteriaceae: national population-based case-control study, Clinical Microbiology and Infection, https://doi.org/10.1016/j.cmi.2019.04.002

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