Oncologia

Fatores de risco para câncer de mama avançado após 2 anos de mamografia negativa

Tempo de leitura: 3 min.

Embora a mamografia possa reduzir em 15% a 20% a mortalidade por câncer de mama, ainda se observa que 15% dos cânceres de mama são diagnosticados entre uma mamografia normal e um próximo exame de rastreamento. Tais “tumores de intervalo” (como têm sido chamados) passam despercebidos ou não são diagnosticados num primeiro exame, mas pela maioria ter crescimento rápido, acabam evoluindo durante o intervalo tradicional recomendado de screening

Leia também: USG adjuvante para detecção de câncer de mama entre mulheres com densidade mamária variável

A densidade mamária aumentada de algumas mulheres aumenta entre 4 a 6 vezes o risco para câncer de mama, além de poder mascarar tumores tornando a mamografia menos sensível nesses casos. Um estudo da Breast Cancer Surveillance Consortium usou a densidade mamária como fator único para tentar selecionar mulheres com mamas mais densas como candidatas a screening adicional com RNM ou USG mamas, sem sucesso como fator sensível para seleção. Poucos estudos ainda existem para tentar determinar quais fatores deveriam ser considerados para selecionar mulheres com tumores avançados nesse “intervalo” com mamografias negativas que mereceriam complementações com outros exames de screening, abreviando o intervalo e qual método utilizar. 

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Estudo recente

Com esse intuito foi publicado no periódico Cancer (American Cancer Society) um estudo com 358.523 mulheres de 40 a 85 anos idade, estudadas no período de 2006 a 2015, no Massachusetts General Hospital que realizaram mamografia com categoria 1 ou 2 de BIRADS (consideradas para screening habitual). Foram excluídas mulheres com próteses mamárias, com antecedente de câncer sabido, moradoras fora de Massachusetts ou que tivessem mutação de BRCA 1 ou 2. Com isso o grupo final ficou com 293.520 mamografias de 74.736 mulheres. 

Após a realização da mamografia elas responderam questionário detalhado sobre idade de menopausa, antecedentes familiares de neoplasia mamária, peso e altura (para cálculo de IMC), classificação étnica. As classificações de BIRADS eram laudadas por radiologistas utilizando um mesmo padrão, inclusive para identificação e classificação das densidades mamárias. Ainda foram consideradas imagens obtidas do mamógrafo digital ou a partir da tomossíntese digital, utilizada a partir de 2011.

Dentro do grupo de 293.520 mamografias negativas iniciais foram encontrados:

  • 1.345 cânceres de mama dentro do intervalo de 2 anos screening (4,6 por 1000 exames de screening).
    • 357 (26,5% – 1,2 por 1000) eram tumores avançados.
    • 971 (73,5% – 3,4 por 100) eram tumores iniciais.
    • 259 diagnosticados no primeiro ano após mamografia negativa (0,9 por 1000). Resultado comparável à performance de rastreio da mamografia. 
    • As mulheres com neoplasias mais avançadas em geral eram mais jovens, tinham mamas heterogêneas ou mais densas, indicando que a densidade mamária teve grande associação com tumores mais avançados.

Os resultados finais mostraram que o intervalo de screening bianual após mamografia normal pode ser diminuído em mulheres selecionadas como de maior risco para tumores de crescimento rápido que podem se desenvolver nesse intervalo de tempo, que seriam:

  • Quanto maior IMC maiores as chances neoplasias avançadas. 
  • Tenham passado por biópsia mamária prévia. 
  • Áreas de hiperdensidade mamária. 
  • Antecedente familiar câncer de mama. 

Saiba mais: Venóclise no membro superior ipsilateral a uma cirurgia prévia para tratamento de câncer de mama

Além desses resultados, observaram que, além das hiperdensidades, o IMC também é um fator de risco importante e nesses casos, essas mulheres deveriam ser submetidas à complementação com RNM mamária ou passar a fazer mamografia anual ao invés de bianual para rastreio dos “tumores de intervalo”.

Autor(a):

Referências bibliográficas:

  • McCarthy AM, et al. Risk factors for an advanced breast cancer diagnosis within 2 years of a negative mammogram. Cancer. 2021 September;127(18):3334-3342. doi: 10.1002/cncr.33661
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Publicado por
João Marcelo Martins Coluna

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