Ginecologia e Obstetrícia

FDA aprova gel de clindamicina para tratamento de vaginose bacteriana

Tempo de leitura: 2 min.

A vaginose bacteriana não é uma infecção vaginal propriamente dita. Ela representa sim um desequilíbrio no microambiente vaginal com crescimento exacerbado da Gardnerella vaginallis levando a sintomas desagradáveis para a mulher como presença de leucorreia, odor desconfortável, além de poder ser fator de prematuridade por poder levar a trabalho de parto prematuro e amniorrexe prematura. Na ginecologia seu desenvolvimento é capaz de causar infecções repetidas e ser fator de infertilidade.

Leia também: Como o uso de probióticos pode auxiliar na prevenção de vaginose bacteriana recorrente?

Impacto

Hoje temos aproximadamente 21 milhões de mulheres nos EUA passando por esse quadro anualmente. A vaginose bacteriana representa a causa mais comum de vaginite no mundo. Infelizmente mais de 50% das mulheres tratadas apresentam recidiva dentro de um ano.

No dia 7 de dezembro passado o Laboratório Daré (San Diego, CA) anunciou a aprovação pelo FDA do uso de XACIATO® (fosfato de clindamicina) para tratamento de vaginose bacteriana em formato gel para uso em dose única vaginal em moças a partir de 12 anos de idade.

Algumas ressalvas importantes:

  • Gestantes: outros derivados de clindamicina têm sido utilizados para tratamentos em gestantes no 2º e 3º trimestres. XACIATO® não foi testado em mulheres grávidas, mas a via intravaginal em gestantes não demonstra efeito fetal significativo.
  • De modo semelhante, a absorção sistêmica após uso vaginal é desprezível o que pode garantir seu uso durante o período de aleitamento materno, com a tendência de poucos efeitos no recém nascido.
  • A segurança e eficácia não foi demonstrada em crianças menores que 12 anos de idade.
  • As relações sexuais devem ser evitadas por um período de 7 dias após a administração do medicamento. Mesmo com uso de preservativos, uma vez que o poliuretano de preservativos pode não prevenir gestações nesse período. Já os preservativos de látex podem ser utilizados.

Saiba mais: O que há de novo sobre vaginose bacteriana e vaginite inflamatória?

No Brasil, enquanto não chega esse novo medicamento, podemos contar apenas com os cremes vaginais com fosfato de clindamicina com tempo de três a sete dias de tratamento.

Referências bibliográficas:

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Publicado por
João Marcelo Martins Coluna

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