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Conheça a nova arbovirose: Febre do Oropouche

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A febre do Oropouche é causada por vírus homônimo e é nova candidata a doença epidêmica na América Latina, inclusive no Brasil. Está mais do que provado que as características climáticas, geográficas e de saneamento do Brasil favorecem a propagação de arboviroses tanto em ambiente rural (vide o alarmante surto de febre amarela em 2017), e epidemias anteriores de Zika, Chikungunya e Dengue, sendo elas endêmicas em algumas regiões do país.

O vírus Oropouche não é novidade, sendo o mesmo conhecido desde 1955, sendo provável causa de casos esporádicos de infecção, alguns deles devidamente documentados na literatura. Foi inclusive documentado em 2002 um surto de 128 casos no estado do Amazonas. Além do Brasil, outros países da América Latina já foram atingidos pelo Oropouche, sendo recentemente documentada uma epidemia no sul do Peru. Não é de se impressionar, portanto, o alarme ao redor da possibilidade de novas epidemias em território brasileiro.

Dentre os casos mais recentes em Salvador (BA), um foi documentado e confirmado como autóctone, sendo prontamente instituída estratégia para controle do vetor, ações de vigilância e medidas de prevenção.

Por falar em vetor, esta arbovirose é transmitida principalmente pelo mosquito conhecido como maruim (Culicoides paraensis), sendo também identificado em pernilongos (Culex quinquefasciatus).

Quadro clínico e diagnóstico da Febre do Oropouche

O quadro clínico não difere das demais arboviroses, sendo classicamente de: febre com calafrios, cefaleia, mialgia, artralgia, prostração e rash cutâneo, que duram de quatro a cinco dias, salvo na ocorrência de recaídas. Há relatos de meningoencefalite asséptica mediada pela infecção viral, mas tratam-se de casos extremamente raros.

As alterações laboratoriais também não diferem das demais arboviroses: apresentando a clássica leucopenia, pode apresentar plaquetopenia, e líquor compatível com infecção viral (nos casos de meningite asséptica).

Dadas as manifestações inespecíficas, o diagnóstico só pode ser firmado por isolamento viral em culturas de células ou utilizando-se de técnicas moleculares, ou ainda através de testes sorológicos obtidos após o período de soroconversão, de aproximadamente 5 dias, em que, na maioria dos casos, não há mais sintomas.

O tratamento também não difere das demais arboviroses, demandando alívio sintomático e estratificação do risco, seguindo o protocolo da Dengue, dado que não é possível diferir entre as doenças, e a Dengue é potencialmente fatal e, por isso, deve ter um manejo agressivo de hidratação e monitoração de sinais vitais e laboratoriais. Ao contrário desta, no entanto, a Febre do Oropouche apresente bom prognóstico, e sem relatos de casos fatais.

Autor:

Eduardo Cardoso de Moura – Médico pela UFF, Residência em Clínica Médica pela UFRJ

Eduardo Moura

 

 

 

 

 

 

Referências:

  1. Secretaria Municipal da Saúde. Diretoria de Vigilância em Saúde Centro de Informações Estratégicas em Vigilância à Saúde. Informe para situação epidemiológica da febre do oropouche em Salvador-BA. Boletim Informativo SMS/DVIS/CIEVS N. 13/2017 de 18 de dezembro de 2017.
  2. Rodríguez-Morales, A. J., Paniz-Mondolfi, A. E., Villamil-Gómez, W. E., & Navarro, J. C. (2017). Mayaro, Oropouche and Venezuelan Equine Encephalitis viruses: following in the footsteps of Zika?. Travel medicine and infectious disease, 15, 72-73.
  3. de Souza Bastos, M., Figueiredo, L. T. M., Naveca, F. G., Monte, R. L., Lessa, N., de Figueiredo, R. M. P., … & Mourao, M. P. G. (2012). Identification of Oropouche Orthobunyavirus in the cerebrospinal fluid of three patients in the Amazonas, Brazil. The American journal of tropical medicine and hygiene, 86(4), 732-735.
  4. Romero-Alvarez, D., & Escobar, L. E. (2017). Oropouche fever, an emergent disease from the Americas. Microbes and infections

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