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Febre na doença falciforme: como manejar

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A complicação mais comum no paciente com doença falciforme (DF) é a crise aguda vaso-oclusiva, ocasionando crises álgicas importantes, que devem ser adequadamente manejadas (para mais detalhes, veja ‘Crise Álgica no paciente falcêmico: como manejar?‘). Porém, são as infecções que constituem a principal causa de morte nestes pacientes, resultante principalmente da redução ou ausência de função esplênica.

O resultado é um risco extremamente elevado de septicemia e meningite (até 600 vezes maior), especialmente por bactérias encapsuladas, sendo o pneumococo responsável por mais de 70% das infecções. A febre anuncia muitas condições agudas e às vezes ameaçadoras da vida, como a Síndrome Torácica Aguda (STA) e Osteomielite. Embora a incidência de infecção pneumocócica invasiva tenha diminuído devido à vacinação pneumocócica e profilaxia com penicilina, os episódios de febre ainda devem ser encarados como uma emergência.

Frente a um paciente febril com DF inicialmente deve-se colher a história clínica, além de realizar seu exame físico detalhado, com foco principal na avaliação de seu estado geral, da piora da palidez e presença de possíveis focos infecciosos, como ouvido, garganta e seios da face. Devem então ser solicitados: hemograma com contagem de reticulócitos, hemocultura, raiografia de tórax e urinocultura. Demais exames podem ser acrescentados de acordo com clínica do paciente, como punção lombar (especialmente nos menores de 1 ano), coprocultura (se diarreia), ultrassonografia abdominal (se dor abdominal intensa) e radiografia de seios da face.

Veja também: ‘Novo tratamento para anemia falciforme é aprovado!’

As crianças com DF com menos de 3 anos de idade e temperatura superior a 38,3°C devem ser hospitalizadas, assim como pacientes graves, iniciando-se antibioticoterapia venosa empírica que forneça cobertura contra gram negativos entéricos e Streptococcus pneumoniae. Os pacientes não graves podem ser tratados ambulatorialmente, desde que haja garantia da administração da medicação pelo paciente e acompanhamento diário.

A antibioticoterapia deve ser iniciada o mais precocemente possível, ainda na sala de emergência. De acordo com o último manual do Ministério da Saúde, orienta-se o início de cefuroxima 60 mg/kg/dia ou amoxicilina com clavulanato 50 mg/kg/dia, até que haja identificação de algum foco que demande cobertura antimicrobiana específica. Vale ressaltar que em casos de suspeita ou confirmação de meningite, recomenda-se utilizar ceftriaxone na dose de 100 mg/kg/dia. Já em casos de osteomielite confirmada, ou forte suspeita, deve-se iniciar cobertura para Stafilococcus aureus e Salmonella sp com cefuroxima na dose de 150mg/kg/dia.

Caso não seja detectada qualquer etiologia para febre, os antibióticos são mantidos por 72 horas com as hemoculturas negativas. Após, poderão receber alta com antibiótico oral se afebris, sem toxemia e com nível de hemoglobina segura, com reavaliação em uma semana.

Infecções: Abordagem do paciente febril. Fonte: Ministério da Saúde 2009

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Referências:

  • Doença Falciforme: condutas básicas para tratamento. Ministério da Saúde 2013.
  • Manual de Eventos Agudos em Doença Falciforme. Ministério da Saúde 2009.
  • Evidence-Based Management of Sickle Cell Disease. Expert Panel Report, 2014.

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