Enfermagem

Fernanda Pautasso esclarece os principais aspectos sobre enfermeiro navegador [Mês da Enfermagem]

Tempo de leitura: 3 min.

 

Você já ouviu falar em enfermeiro navegador? Com o objetivo de destacar novos rumos na carreira profissional de enfermagem, convidamos a Enfermeira Mestre Fernanda Pautasso para bater um papo super interessante com nossas conteudistas Nathalia Cholbi e Mariana Marins sobre essa temática.

Enfermagem Navegante

Fernanda Felipe Pautasso é enfermeira, especialista em Terapia Intensiva, Administração Hospitalar e Negócios em Saúde. Possui Mestrado em Ensino na Saúde e atualmente está cursando o Doutorado em Enfermagem.

Mari e Nath: Oi, Fernanda, tudo bem? Nos conte um pouco da sua história e trajetória profissional?

Fernanda: Me formei em 2003 e minha primeira experiência foi em Terapia Intensiva. Depois de um período, em 2006, fui trabalhar no Hospital Santa Rita, na área de oncologia como gestora da unidade de terapia intensiva, unidades de internação. De 2015 a 2018 trabalhei como especialista na unidade de promoção da saúde e prevenção de doenças da Santa Casa, e foi nesse período, durante o meu mestrado que iniciei os estudos sobre navegação de pacientes e atuação do enfermeiro navegador. Mais tarde, assumi a supervisão dos ambulatórios do hospital Santa Rita e já comecei a navegar meus pacientes lá nesse período.

Mari e Nath: Como conheceu esse ramo da enfermagem?

Fernanda: Foi através da médica oncologista e epidemiologista que era minha coordenadora na unidade de promoção da saúde e prevenção de doenças que ouvi falar pela primeira vez sobre navegação. Desde então, venho estudando sobre essa temática durante minhas pesquisas de mestrado. Fiz minha formação na George Washington University, nos Estados Unidos. Aqui no Brasil, na época, ainda não tínhamos nenhum curso similar que desse capacitação para o enfermeiro atuar nessa área. Durante o mestrado, publiquei um artigo científico intitulado “Atuação do Nurse Navigator: revisão integrativa”. em 2018. Trouxe o conceito de enfermeiro navegador e adaptei um método de implantação de programas de navegação para o cenário brasileiro na minha pesquisa, e em 2020, como fruto da minha dissertação de Mestrado, publiquei o estudo “Nurse Navigator: development of a program for Brazil”, com a construção da Escala de Avaliação de Necessidade de Navegação, elaborada para categorizar os pacientes em níveis de navegação, validada pela Técnica Delphi, com 12 especialistas. É um instrumento único no mundo, aplicável para pacientes atendidos pelo SUS ou rede privada de saúde.

Mari e Nath: O que é um enfermeiro navegador?

Fernanda: É um enfermeiro que trabalha eliminando e/ou mitigando as barreiras biopsicossociais dos pacientes, auxiliando-os e fornecendo suporte a eles e seus familiares para que tenham todas as necessidades de saúde atendidas e pleno acesso ao sistema e serviços de saúde. O enfermeiro navegador coloca o paciente no centro do cuidado e estabelece um elo mais estreito entre ele e a equipe de saúde.

Mari e Nath: Quais as áreas de atuação desse ramo no Brasil?

Fernanda: No Brasil, a navegação de pacientes nasceu na oncologia e tem se desenvolvido bastante. Atualmente temos alguns projetos sendo desenvolvidos na área da Atenção Primária também, inclusive no Rio de Janeiro, com pacientes com câncer de mama. No Canadá, a primeira área foi na atenção primária.

Mari e Nath: Como se organiza a assistência do enfermeiro navegador?

Fernanda: O enfermeiro realiza o processo de navegação de enfermagem onde faz uma avaliação inicial, a partir de uma entrevista; avalia o nível de necessidade de navegação do paciente; diante das necessidades é elaborado um plano de navegação com o foco em minimizar as barreiras para alcançar os serviços de saúde, os quais ele necessita; periodicamente são realizados acompanhamentos e reavaliações de todo o plano de navegação, e pôr fim a alta do paciente.

O enfermeiro navegador pode aplicar a escala de Avaliação de Necessidade de Navegação e avaliar a necessidade de navegação do paciente que pode ser classificada em três níveis:

  • Nível 0: pacientes sem necessidade de navegação;
  • Nível 1: paciente que compreende bem as suas necessidades de saúde, mas precisa de um suporte;
  • Nível 2: paciente que não compreende as suas necessidades e precisa totalmente de suporte do enfermeiro navegador.

Mari e Nath: Qual a média salarial de um enfermeiro navegador?

Fernanda: Ainda não é regulamentado. Ainda não temos um padrão salarial aqui no Brasil e também não temos ainda um  perfil profissional.

Mari e Nath: Como é a escala de trabalho?

Fernanda: Não existe padrão, irá depender da instituição.

Mari e Nath: Como se tornar um enfermeiro navegador? É necessário algum curso específico?

Fernanda: Precisa ter muito conhecimento da área oncologia, ou na respectiva área de navegação, conhecer as modalidades de tratamento, as barreiras do SUS que o paciente possa encontrar, compreender como funciona o sistema de saúde. É importante que o enfermeiro tenha experiência na assistência também. Em relação a formação de enfermeiro navegador, só temos um curso no Brasil no Hospital A.C. Camargo Câncer Center com aulas teóricas e práticas, sendo um curso de qualificação em navegação de pacientes. Os demais cursos e as certificações que existem são em nível internacional. No momento, ainda não temos no Brasil cursos a nível de especialização em navegação de pacientes para enfermeiros.

20 de Maio: Dia Nacional do Técnico de Enfermagem

Mari e Nath: Nós sabemos que a atenção e o cuidado com as relações interpessoais têm um papel fundamental na valorização dos profissionais. Nós, do Nursebook, agradecemos imensamente, foi um prazer tê-la conosco na nossa Semana de Enfermagem. Desejamos à você e para todos enfermeiros navegadores muito sucesso!

 

 

Autora: Nathalia Schuengue. Enfermeira pediatra pelo Instituto Fernandes Figueira. Mestre em saúde da criança pela Universidade Federal do Rio de Janeiro.

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Mariana Marins

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