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Ferritina: além de um marcador inflamatório

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A dosagem de ferritina é muito habitual na prática da nutrologia médica e medicina esportiva. Isso ocorre por ela ser uma proteína chave no metabolismo do ferro no organismo, sendo capaz de converter Fe²+ em Fe3+ sequestrando grandes quantidades deste metal na circulação. O ferro sequestrado fica armazenado no interior da proteína contida nos tecidos e impede o dano oxidativo provocado pelo ferro livre. A ferritina é uma proteína intracelular localizada principalmente no citoplasma. Pequenas quantidades desta proteína podem ser encontradas no plasma. Por isso, ela é utilizada na clínica como um marcador clássico dos estoques de ferro. 

Nível de ferritina sérica, depressão e índice de massa corporal

Indo além desse fundamento científico em junho de 2019 foi publicado um artigo nessa temática.  O estudo se chamava “Associação do nível de ferritina sérica e depressão em relação ao índice de massa corporal em homens adultos coreanos”. Pois a obesidade é um importante problema de saúde pública em âmbito mundial. E evidências sugerem que os níveis elevados de ferritina estão associados à obesidade, dislipidemia, resistência à insulina e síndrome metabólica. 

O estudo foi realizado para checar a relação entre o nível de ferritina sérica e depressão em adultos do sexo masculino coreanos. Levando em conta o que diz respeito à classificação da obesidade predominante. Pois, a prevalência de adultos com obesidade e excesso de peso aumentou em todo mundo.

Os adipócitos têm níveis aumentados de ferritina sérica na obesidade. O que sugere um papel no desfecho da doença, onde estudos investigaram o papel e o status do ferro na obesidade relacionado a saúde mental. 

Metodologia

O estudo em questão foi do tipo de caso-controle, onde os indivíduos foram classificados em grupo obeso (≥ 25,0 kg / m ², 28 sujeitos) e grupo normal (18,5–22,9 kg / m² , 27 sujeitos). Uma pesquisa foi realizada para avaliar os níveis de depressão de acordo com as orientações sugeridas pelo programa do Centro de Estudos Epidemiológicos-Depressão (CES-D).

O sangue foi coletado de cada grupo para avaliação de biomarcadores. Já o plasma isolado foi avaliado para glicemia de jejum, insulina, índice quantitativo de verificação da sensibilidade à insulina e níveis de ferritina. Os dados foram analisados, e os grupos foram comparados com relação ao Índice de Massa Corporal (IMC), escala de depressão e biomarcadores. 

Resultados

Os resultados deste estudo indicam que os níveis séricos de ferritina e depressão do grupo de estudo dependem do status do IMC, e níveis mais altos de IMC se correlacionam com depressão. O escore médio de depressão do grupo obesidade foi de 16,86, maior que o grupo normal (12,56).

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Indivíduos com mais de 16 pontos compuseram 53,6% da população no grupo obeso, que foi mais do que o dobro do grupo normal, conforme avaliado pelo programa CES-D. Além disso, o nível de ferritina sérica do grupo obesidade foi de 207,12 ng /mL, que foi superior ao do grupo normal (132,66 ng/mL). Por fim, o IMC pareceu estar significativamente correlacionado com ambos os níveis de depressão (r = 0,320, P = 0,017) e ferritina elevada (r = 0,352, P = 0,008).

Conclusões do estudo

Apesar dos achados estatísticos do estudo, o mesmo ao longo da discussão apresenta quatro limitações do estudo, que não descarta uma interação entre obesidade e depressão, usando como marcador a ferritina sérica. Vale lembrar, que a obesidade é considerada um estado inflamatório crônico, e a ferritina é um reagente observado na fase aguda da inflamação. Nos últimos anos, os níveis aumentados de ferritina sérica são reconhecidos como consequência de uma reação inflamatória crônica causada pela obesidade, e não apenas o resultado de um aumento nos estoques de ferro. Além disso, o aumento da concentração sérica de ferritina em pacientes clínicos está associado a sintomas depressivos.

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Autora: 

Referências:

  • Lee HS, Park E. Association of serum ferritin level and depression with respect to the body mass index in Korean male adults. Nutr Res Pract. 2019;13(3):263–267. doi:10.4162/nrp.2019.13.3.263

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