Fibrilação Atrial: um retrato dessa condição no SUS

Estudo brasileiro mostra que cerca de 1,5% dos brasileiros adultos tem Fibrilação Atrial e existe a previsão de mais 500 mil novos casos até 2025.

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Semana passada foi publicado um artigo brasileiro no European Journal of Internal Medicine, que traz dados alarmantes sobre a prevalência e o tratamento dos pacientes com fibrilação atrial (FA) atendidos em unidades básicas do SUS. O estudo epidemiológico foi conduzido a partir de um banco de dados de telemedicina com mais de 800 mil eletrocardiogramas (ECGs) analisados e, posteriormente, uma parte dessa amostra foi interrogada via inquérito telefônico.

Foi encontrada uma prevalência geral de 2,2% de FA ao longo de sete anos de análise. Essa prevalência aumenta com a idade, sendo mais comum entre os homens em qualquer faixa etária. A projeção dessa prevalência na pirâmide etária brasileira, segundo dados do IBGE, nos mostra que cerca de 1,5% dos brasileiros adultos tem atualmente a doença e que existe a previsão de mais 500 mil novos casos diagnosticados até 2025.

Entre os pacientes interrogados, 34% não sabiam que tinham FA até o momento em que foram submetidos ao ECG e, dos que já sabiam, 21% não estavam recebendo nenhum tipo de tratamento para a doença. Entre os pacientes em tratamento, apenas 18% estavam em estratégia de controle de ritmo (antiarrítmico ou cardioversão prévia) e nenhum paciente havia sido submetido a ablação.

Saiba mais: Fibrilação atrial: você sabe quando indicar ablação?

Mas o mais grave ainda estava por vir. Em relação ao risco de tromboembolismo, 62,8% dos pacientes da amostra eram de alto risco. Desses, apenas 9,3% estavam em uso regular de anticoagulante (varfarina). Ou seja, nenhum paciente estava em uso dos anticoagulantes diretos (NOACs). Em outras palavras, 80,7% dos pacientes de alto risco não estavam em uso de anticoagulação oral. E, para completar, 47,5% relataram fazer uso de AAS, conduta atualmente não recomendada pelos guidelines.

Vale ressaltar que a amostra entrevistada foi pequena e que a coleta de dados foi feita em 2012. Mas já que não tivemos grandes avanços nas políticas de saúde desde então e os NOACs ainda não são disponibilizados na rede pública de forma gratuita, não vislumbramos mudanças nesse cenário ao longo desse tempo.

E o que tudo isso nos ensina?

Isso tudo nos mostra que existe um grande gap entre o recomendado nas diretrizes e o que realmente tem sido feito na prática. E não nos choca tanto porque quem trabalha no SUS já convive com essa realidade. Só que não tínhamos os dados de forma consistente, e agora, temos. 

 

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