Fisiologia do exercício: de onde vem a energia para o músculo?

Você sabe qual o combustível do corpo? Quais os mecanismos utilizados para produção desse combustível? Vamos falar um pouco da fisiologia do exercício.

O Portal PEBMED é destinado para médicos e demais profissionais de saúde. Nossos conteúdos informam panoramas recentes da medicina.

Caso tenha interesse em divulgar esse conteúdo crie um perfil gratuito no AgendarConsulta.

Você sabe qual o combustível do corpo? Quais os mecanismos utilizados para produção desse combustível? Em forma de analogia, pode-se enxergar o corpo como uma máquina (motor) cujo combustível utilizado para seu funcionamento é o ATP (adenosina trifosfato). Essa molécula (denominada moeda energética do organismo) armazena energia química de forma a possibilitar nosso trabalho mecânico. Guarde este conceito.

O real aproveitamento de cada caloria ingerida até a utilização do ATP é de cerca de 25%. Essa é a eficiência do nosso “motor”. Grande parte dessa energia se perde na forma de calor durante o processo, desde a digestão do alimento, passando pela produção do ATP, armazenamento, até a posterior utilização do mesmo.

Leia também: Cãibras associadas ao exercício: frequentes e imprevisíveis

Mas de que forma o corpo transforma a energia ingerida em ATP? A pergunta correta seria no plural: de que formas.

Após o processo digestivo, temos macronutrientes (carboidratos, aminoácidos e ácidos graxos) detentores de calorias (energia química) disponíveis para abastecer nossos sistemas de produção de ATP, os chamados sistemas de ressíntese de ATP. Eles são classificados, de acordo com a necessidade ou não de oxigênio, em aeróbio ou anaeróbio, e possuem características específicas:

  • Anaeróbio aláctico (ATP-CP): fonte imediata de energia, porém com capacidade limitada pela quantidade de fosfocreatina muscular. Utiliza a fosfocreatina armazenada no tecido muscular como fonte de energia e de fosfato para síntese de ATP de forma instantânea;
  • Anaeróbio láctico (glicolítico): fonte rápida de energia, porém resulta em acidose muscular o que limita o ritmo enzimático e sua capacidade produtiva. Utiliza glicose (glicogênio muscular) como fonte principal de energia para síntese de ATP a nível citoplasmático, sem a necessidade de oxigênio;
  • Aeróbio (oxidativo): fonte eficiente de energia com grande capacidade e duração. Nesse sistema reside o famoso ciclo de Krebs e o sistema transportador de elétrons. Utiliza preferencialmente glicose, mas pode recrutar ácidos graxos livre e aminoácidos como fontes secundárias. O sistema aeróbio (necessita de oxigênio no processo) é o que tem maior capacidade de produção de ATP para uma mesma quantidade de substrato, porém seu processo é mais lento e portanto não consegue disponibilizar energia instantaneamente.

ciclista treinando, foto com foco na bicicleta para fisiologia do exercício

Qual a importância de toda essa bioquímica?

A energia é produzida através de uma interação entre as vias energéticas. A depender do tipo, intensidade e duração do exercício realizado, estes sistemas são ativados com diferentes parcelas de contribuição. A compreensão da interação entre as vias energéticas é de extrema importância para técnicos e treinadores planejarem programas de preparação física, treinos e ciclos de treinamento, por exemplo:

  • Usain Bolt: 100 metros rasos – aproximadamente 10 segundos de duração. Principal sistema utilizado: anaeróbio aláctico;
  • David Rudisha: 800 metros – aproximadamente 2 minutos de duração. Principal sistema utilizado: anaeróbio láctico;
  • Vanderlei Cordeiro de Lima: maratona – aproximadamente 2 horas de duração. Principal sistema utilizado: aeróbio.

De forma simples: quanto mais curta e intensa for a atividade maior é a contribuição do sistema anaeróbio, portanto as atividades de longa duração e leve/moderada intensidade utilizam maior parte do ATP advindo do sistema aeróbio.

Mais do autor: Lesões no ciclismo: como manejar?

Resumo

Sistema Oxigênio Substrato Quantidade de ATP Ressíntese Duração
ATP-CP
(Anaeróbio aláctico)
Não Fosfocreatina Muito limitada Muito rápida 10 – 30
segundos
Glicólise
(Anaeróbio láctico)
Não Glicose
(Glicogênio)
Limitada Rápida 90 – 120
segundos
Oxidativo
(Aeróbio)

Sim
Glicose
Ácidos Graxos
Aminoácidos
Ilimitada Lenta Horas

Referências bibliográficas:

  • Powers, SK; Howley, ET. Fisiologia do exercício: teoria e aplicação ao condicionamento e ao desempenho. 9 ed. São Paulo: Manole; 2015
  • Andrade, MS; Lira, CAB. Fisiologia do Exercício. 1. ed. São Paulo: Manole, 2016
Cadastre-se ou faça login para acessar esse e outros conteúdos na íntegra
Cadastre-se grátis Fazer login
Veja mais beneficios de ser usuário do Portal PEBMED: Veja mais beneficios de ser usuário
do Portal PEBMED:
7 dias grátis com o Whitebook Aplicativo feito para você, médico, desenhado para trazer segurança e objetividade à sua decisão clínica.
Acesso gratuito ao Nursebook Acesse informações fundamentais para o seu dia a dia como anamnese, semiologia.
Acesso gratuito Fórum Espaço destinado à troca de experiências e comentários construtivos a respeito de temas relacionados à Medicina e à Saúde.
Acesso ilimitado Tenha acesso a noticias, estudos, atualizacoes e mais conteúdos escritos e revisados por especialistas
Teste seus conhecimentos Responda nossos quizes e estude de forma simples e divertida
Conteúdos personalizados Receba por email estudos, atualizações, novas condutas e outros conteúdos segmentados por especialidades

Avaliar artigo

Dê sua nota para esse conteúdo

Selecione o motivo:
Errado
Incompleto
Desatualizado
Confuso
Outros

Sucesso!

Sua avaliação foi registrada com sucesso.

Avaliar artigo

Dê sua nota para esse conteúdo.

Você avaliou esse artigo

Sua avaliação foi registrada com sucesso.

Baixe e-books, e outros materiais para aprimorar sua prática médica e gestão Baixe e-books, e outros materiais
para aprimorar sua prática
médica e gestão