Fissura anal: como abordar a condição na Atenção Primária?

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Queixas de problemas anorretais são comuns na Atenção Primária à Saúde (APS), mas são mais frequentes ainda do que vemos no consultório. Por barreiras culturais, os pacientes muitas vezes não trazem esse tipo de queixa ao médico, enquanto que em 2012, por exemplo, a palavra mais buscada dos Estados Unidos no Google, no quesito saúde, foi hemorrhoids (hemorroidas, em inglês). Mas além dela, temos que lembrar da fissura anal.

É importante que o Médico de Família e Comunidade (MFC) esteja aberto e atento a essas situações.

Fissura anal

A maioria dos problemas anorretais são benignos e podem ser manejados pelo MFC. Um dos mais comuns é a fissura anal, geralmente caracterizada pelas queixas de dor e sangramento anal e pela presença de plicoma ao exame.

Na maioria das vezes, presente na linha média do polo posterior do ânus, a fissura geralmente é facilmente identificada, apesar de ser necessário, muitas vezes, o estiramento da região pelo examinador. Caso a intensidade da dor permita realizar o toque retal, este evidenciará o tônus muscular do esfíncter aumentado.

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Como abordar?

O MFC deve ficar atento também aos sinais de alerta de gravidade desse tipo de quadro. Devem ser encaminhados para realização de colonoscopia pacientes com queixa de sangramento retal com: mais de 50 anos; nodulação ao toque retal; história familiar de neoplasias intestinais, doença inflamatória intestinal ou polipose intestinal; perda de peso sem motivos maior que 5 kg em 6 meses; anemia persistente após tratamento; ou sangramento persistente após tratamento.

A abordagem das fissuras anais devem sempre incluir a recomendação de aumento da ingesta hídrica (pelo menos oito a dez copos por dia) e orientações alimentares para facilitar o trânsito intestinal, pois as fezes endurecidas têm importante associação com a formação de fissuras, devendo-se recomendar o consumo de, pelo menos, 25 a 30 g de fibras por dia. Além disso, recomenda-se também a prescrição de banho de assento morno, analgésicos tópicos (em creme ou pomada) e até medicamentos laxantes osmóticos ou emolientes (Bisacodil, Lactulose, Óleo Mineral etc).

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As fissuras anais agudas costumeiramente respondem a esse tratamento (mais de 50% das vezes). No entanto, se não houver melhora em 6 semanas, podem ser prescritos também medicamentos tópicos relaxantes do esfíncter anal, como o Diltiazem a 2% ou o Nifedipino a 0,2%, 2 vezes ao dia por 6 a 8 semanas. Esse tratamento pode ser já iniciado em casos de fissura anal crônica, quando o tempo de duração é superior a 6 semanas.

Após a cura, é importante ressaltar a necessidade da manutenção das orientações dietéticas. Se houver persistência após o tratamento por seis a oito semanas está indicado o encaminhamento ao proctologista.

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Referências bibliográficas:

  • GUSSO G, LOPES JMC. Tratado de Medicina de Família e Comunidade – 2a edição. Editora Artmed, 2019.
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