Fitoterápicos como terapia complementar da hipertensão arterial

Várias são as publicações que respaldam a indicação de fitoterápicos em pacientes portadores de hipertensão arterial sistêmica.

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O uso de plantas medicinais tem acompanhado o homem através do tempo.

A partir da publicação da “Historie general des Drogues”, escrita pelo farmacêutico Pierre Pomet, em 1673, a fitoterapia entra em seu  período científico. Começa a ser reconhecida como ciência, devido a descrição taxonômica das plantas e a identificação dos constituintes químicos de algumas plantas ao final do século XVIII.

O avanço ao longo dos séculos, trouxe nos últimos anos, um aumento exponencial do uso de fitoterápicos, quer seja através da prescrição de medicamentos industrializados ou ainda manipulados. Atualmente, a Organização Mundial de Saúde (OMS) já reconhece e recomenda seu uso, enquanto prática integrativa e complementar e o Ministério da Saúde (MS) a incorporou à Política Nacional de Prática Integrativa e Complementar (PNPIC).

Hipertensão e fitoterapia

Sua utilização em pacientes portadores de hipertensão arterial sistêmica, vem sendo estudada e várias são as publicações que respaldam esta indicação.

Pacientes hipertensos podem se beneficiar do uso dos capítulos florais do Hibiscus sabdariffa, rico em flavonoides, em especial as antocianinas (delfinidinas e cianidinas). Sua ação diurética, resulta em aumento na excreção urinária de sódio. Além disso, seu efeito vasodilatador, pode ocorrer por duas vias: a primeira – dependente da integridade do endotélio – resulta da produção de óxido nítrico e monofosfato de guanosina cíclico (GMPc), enquanto a segunda – independente do endotélio – deve-se à inibição do influxo de cálcio para as células musculares lisas dos vasos. Os compostos responsáveis pela inibição competitiva do centro ativo da enzima conversora de angiotensina (ECA) são as duas antocianinas mais abundantes nas flores de hibisco: a delfinidina-3-sambubiósido e a cianidina3-sambubiósido. Alguns indivíduos, podem relatar durante o seu uso: cefaleias, visão turva e ansiedade.

Pensando nos diversos caminhos que podem levar a hipertensão arterial, outra planta frequentemente utilizada é a Valeriana officinalis (fitoterápico de prescrição médica exclusiva, no Brasil).

A raiz desta planta pode ser uma alternativa a prescrição de benzodiazepínicos para pacientes com queixa frequente de insônia  diminuindo a probabilidade de quadros de hipotensão ortostática (HO).

Seu mecanismo de ação se dá a partir da inibição do metabolismo do ácido gama-aminobutírico (GABA), exercida pelo ácido valerênico (principal constituinte da sua raiz), o que acarreta um aumento do neurotransmissor na fenda sináptica com consequente efeito inibitório.

Suas atividades sedativa e indutora do sono seriam provocadas, principalmente pelos valepotriatos, que demostram efeito sedativo, miorrelaxante central, anticonvulsivante, dilatador coronariano e antiarrítmico. Ocorrem também  ação moderada  inotrópica positiva e cronotrópica negativa sobre o coração. A valeriana é considerada como segura e de boa tolerabilidade, pela Food and Drug Administration (FDA), sendo reconhecida como  segura para consumo Generally recognized as Safe (GRAS).

Leia também: Efeitos do exercício físico sobre a hipertensão arterial resistente

Em pacientes hipertensos, recomenda-se doses moderadas de extrato padronizado em 0,8% ácidos valerênicos. O uso concomitante a outros depressores do sistema nervoso central (SNC) ou álcool, pode potencializar sua ação. Doses acima das recomendadas, podem apresentar efeitos adversos, como: tremor, cefaleia, disfunção hepática e distúrbios cardíacos.

Seu uso deve ser suspenso duas semanas antes de cirurgias, devido ao risco de sedação prolongada e atraso na recuperação da anestesia.

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