Ortopedia

Fixação de 1 ou 2 ossos do antebraço nas fraturas pediátricas diafisárias de rádio e ulna?

Tempo de leitura: 2 min.

As fraturas diafisárias dos ossos do antebraço representam cerca de 3 a 6% das fraturas pediátricas. Essas lesões se comportam como fraturas articulares e por isso devem ser tratadas como tais. Embora a redução fechada e imobilização com gesso seja o padrão ouro para tratamento de crianças mais jovens, crianças acima de 9 anos não toleram desvio angular de mais de 8-10 graus, rotacional de mais de 30 graus ou translação maior que 100%. O desvio acima desses parâmetros pode gerar limitação da pronossupinação.

Leia também: Choosing Wisely: 5 recomendações de ortopedia pediátrica

A necessidade de fixação dos 2 ossos vem sendo questionada em artigos recentes e testa-se a hipótese de que a fixação de apenas 1 dos ossos do antebraço tenha resultados similares à fixação dupla. Foi publicado recentemente na revista International Orthopaedics um ensaio clínico randomizado com esse objetivo.

O estudo

Foram selecionadas 50 crianças entre 9 e 15 anos com fraturas diafisárias instáveis dos 2 ossos do antebraço que necessitariam fixação cirúrgica entre novembro de 2018 e fevereiro de 2020 em um hospital universitário e divididas em 2 grupos: (1) fixação de ambos os ossos do antebraço e (2) fixação da ulna com redução fechada do rádio. As osteossínteses foram realizadas com placas DCP com mínimo de 3 parafusos em cada lado da fratura.

O grupo 2 teve menor tempo cirúrgico em relação ao 1 (43,60 ± 6,21 vs 88,60 ± 10,56 min ; p < 0,001) e não houve diferença significativa no tempo de consolidação das fraturas (6,28 ± 1,51 vs 6,64 ± 1,75 semanas; p= 0,44). Além disso, os pacientes do grupo 2 apresentaram no pós-operatório uma média de angulação do rádio de 5,36 ± 4,39 graus enquanto o grupo 2 não apresentou angulação, sendo esse valor estatisticamente significativo (p < 0,001).

Saiba mais: A fixação provisória com placas de minifragmentos interfere na força de compressão da síntese definitiva?

Não foram observadas infecções ou refraturas em ambos os grupos e o arco de movimento de pronossupinação foi semelhante entre os 2 grupos. O tempo de follow-up foi de 6 meses.

Conclusão

Apesar da fixação da ulna com redução fechada do rádio apresentar resultados com maior angulação do rádio, não foi o suficiente para comprometer o arco de movimento de pronossupinação dessas crianças. É interessante recordar que para esse tipo de fraturas em crianças também temos as opções das hastes intramedulares flexíveis, que também podem reduzir o tempo operatório e são realizadas com técnica percutânea. Ainda são necessários estudos mais conclusivos acerca do melhor tratamento dessas lesões pediátricas.

Autor(a):

Referências bibliográficas:

  • Khaled M, Fadle AA, Attia AK, Sami A, Hafez A, Abol Oyoun N. Single-bone versus both-bone plating of unstable paediatric both-bone forearm fractures. A randomized controlled clinical trial. Int Orthop. 2021 Jun 12. doi: 10.1007/s00264-021-05097-z.
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Publicado por
Giovanni Vilardo Cerqueira Guedes

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