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Follow-up de prematuros: o que é realmente importante

Com os avanços da assistência neonatal, a taxa de sobrevivência de bebês prematuros se torna cada vez maior, aumentando com isso a importância de um rigoroso acompanhamento de follow-up desse grupo especial.

Há alguns anos atrás não se podia imaginar que um recém-nascido com peso de nascimento inferior á 500 gramas ou idade gestacional de 24 semanas fosse capaz de resistir a todas as complicações associadas à prematuridade e ao baixo peso. Hoje em dia, já temos grande número de casos que consegue sobreviver e receber alta da UTI neonatal, porém uma parcela significativa associada a comorbidades importantes, que precisam ser bem acompanhadas ambulatorialmente.

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O seguimento do prematuro de risco idealmente não deve ser feito apenas pelo pediatra e sim por uma equipe multidisciplinar envolvendo psicólogo, fonoaudiólogo, fisioterapeuta, oftalmologista, neurologista, otorrino, terapeuta ocupacional e algumas vezes também de enfermeiros e assistentes sociais. Essa divisão é importante para tentar organizar á atenção aos diferentes problemas, podendo cada especialista desempenhar sua função da melhor forma possível.

Pontos chaves do follow-up:

  1. Acompanhamento do crescimento e do desenvolvimento

Um conceito básico que deve ser entendido, pois, vai ser usado como base no acompanhamento do prematuro, é o conceito de idade gestacional corrigida. A idade gestacional corrigida (IC) deve ser calculada até que o bebê, nascido com idade gestacional menor que 37 semanas, complete 40 semanas.  A partir da IC de 40 semanas (correspondente ao nascimento á termo), inicia-se a contagem em dias de nascido, podendo assim se comparar o crescimento e desenvolvimento com outras crianças que não foram prematuras.

O que é idade corrigida: idade corrigida = idade cronológica – (40 semanas – idade gestacional em semanas).

A avaliação do crescimento deve ser feita em todas as consultas, com aferição do peso, estatura e perímetro cefálico a cada retorno; plotar nas curvas de crescimento de referência da OMS atuais para acompanhamento. Os recém-nascidos de muito baixo peso terão crescimento mais lento, demorando a atingir os padrões das curvas considerados adequados; o comprimento atinge a normalidade ao redor de 2 anos, e o peso com 3 anos de IC.

Para acompanhamento dos marcos do desenvolvimento, também não se pode levar em consideração a idade cronológica até os 2 anos, já que a maturidade desse paciente vai estar de acordo com sua idade corrigida. Existem testes como o de Denver II e a Escala de Bayley, aplicada por psicólogos, que ajudam na avaliação do desenvolvimento e inteligência. O ponto chave deve ser o desenvolvimento sensoriomotor, com avaliação sistemática nos primeiros 2 anos de vida. Devemos lembras que as deficiências visuais e auditivas, mais comuns no prematuro do que no nascido a termo, podem influenciar também no desenvolvimento motor.

Veja também: ‘Reanimação de bebês prematuros: uso de ar ambiente pode trazer riscos?’

  1. Intervalo entre consultas:

-Até 6 meses IC: mensal;

-De 6 meses a 1 ano IC: de 2 em 2 meses;

-De 13 meses a 2 anos: de 3 em 3 meses;

-De 2 a 4 anos: 6 em 6 meses;

-Após 4 anos: uma vez por ano.

Atenção aos sinais de alarme: falha de crescimento após o primeiro ano de vida ou crescimento excessivo (associado á maior risco de doenças cardiovasculares e diabetes no futuro).

  1. Suplementações recomendadas

– Vitamina D: 200 UI/dia

-Ferro (a partir de 30 dias):

  • Peso de nascimento > 1,500 kg: 2 mg/kg/dia 1º ano / 1 mg/kg/dia no 2º ano;
  • Peso de nascimento entre 1,5 kg e 1 kg: 3 mg/kg/dia no 1º ano / 1 mg/kg/dia no 2º ano;
  • Peso de nascimento < 1 kg: 4 mg/kg/dia no 1º ano / 1 mg/kg/dia no 2º ano.

-Zinco: 5 mg/dia por seis meses

Até 1 ano de idade deve-se também fazer controle laboratorial rotineiro de cálcio, fósforo e fosfatase alcalina para avaliação de doença metabólica óssea. Se necessário faz-se a suplementação de cálcio (100-160 mg/Kg/dia) e fósforo ( 95-108 mg/Kg/dia por 100 Kgcal).

Veja mais: ‘Novas recomendações na prevenção da morte súbita do lactente’

  1. Vacinação

A vacinação do prematuro deve seguir o calendário oficial, seguindo sua idade cronológica, porém tem algumas particularidades.

-A BCG só pode ser administrada quando tiverem mais de 2 kg;

-A hepatite B, quando a primeira dose é administrada ao nascer com peso menor que 2kg, será oferecida num total de 4 doses (ao nascer, com 1, 2 e 6 meses);

-Vacina da influenza deve ser administrada no bebê e nos seus familiares.

O pediatra do follow-up deve manter uma boa relação médico-paciente com a família da criança, enfatizando a importância do acompanhamento e evitando assim faltas às consultas.  Esses pequenos guerreiros, ao completarem sua jornada na UTI, têm um caminho ainda cheio de tropeços a seguir durante seu crescimento, que pode ser facilitado quando se garante um adequado vínculo ambulatorial.

Autora:

Referências:

  • Rugolo, L.M.S.S., Crescimento e desenvolvimento a longo prazo do prematuro extremo; J Pediatria. 2005; 81 (1 supl):S101-110.
  • Manual de seguimento ambulatorial do prematuro de risco, Departamento científico de Neonatologia, SBP, 2012.

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