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Furosemida por via subcutânea pode ser segura e eficaz

Tempo de leitura: 2 minutos.

Seguindo a programação relacionada à insuficiência cardíaca (IC), comentaremos de forma oportuna um aspecto recente e com grande potencial sobre um dos fármacos mais usados em IC: a furosemida. Este diurético de alça, por via endovenosa, é um dos principais pilares do tratamento da descompensação da IC e do tratamento de manutenção.

Com o envelhecimento populacional e um consequente aumento da sua prevalência, às vezes nos deparamos com cardiopatias muito avançadas e com alta morbimortalidade e comorbidades outras (ex.: IRC), que também são limitantes e dificultam o manejo. Muitas das vezes a dose ótima de diurético no paciente ambulatorial pode ser difícil de atingir e invariavelmente podemos precisar da via parenteral devido a “resistência” da furosemida por via oral.

Essa resistência pode ter alguns mecanismos envolvidos como: hipertrofia do néfron distal, má absorção por edema de alças intestinais, sódio baixo, baixo fluxo renal, congestão de veia renal e albumina baixa. Com novos guidelines que postulam internações mais rápidas para IC descompensada sem critérios de gravidade e com a importância de se pensar em desospitalização, uma pergunta se impõe: seria a via subcutânea viável para estes pacientes?

O British Journal of Medecine (BMJ) publicou recentemente um pequeno estudo espanhol que avaliou o uso da via subcutânea (com bomba elastomérica*) em 12 pacientes idosos com IC avançada, resistência ao diurético por via oral e internações frequentes por IC descompensada de 2014 a 2018.

*bomba elastomérica: dispositivo descartável para infusão subcutânea com fluxo quase constante sem necessidade de bomba eletrônica.

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FUROSEMIDA SUBCUTÂNEA: RESULTADOS

A idade dos participantes era de aproximadamente 80 anos; a dose diária média de furosemida foi de 135 mg/dia. A mediana de internações no ano anterior ao uso furosemida subcutânea foi de 3,3. Follow-up médio de 202 dias.

– Somente duas admissões por IC descompensada durante o seguimento de pacientes que acabaram falecendo após longa internação;

– Os outros 10 pacientes não necessitaram de internação ou furosemida endovenosa durante o seguimento;

– Um paciente apresentou complicações locais no sítio de infusão necessitando interromper o uso por esta via e outros dois tiveram infecção local sem gravidade que foi tratada com antibióticos;

– Durante o seguimento, oito pacientes faleceram, sendo cinco por causas não cardíacas;

– Mesmo tendo insuficiência renal crônica na maioria dos pacientes (IRC estágio IV), não houve piora de função renal nem distúrbios eletrolíticos importantes com o tratamento.

Discussão

Trata-se de um estudo muito pequeno, mas que sugere que a via subcutânea seja possível principalmente num contexto de cardiopatia muito avançada, muito idosos, acesso venoso difícil e comorbidades limitantes, etc – para os quais o manejo do paciente fora do hospital seja preferível como forma de reduzir custos/ riscos da internação e para melhoria da qualidade de vida.

QUIZ: o que você sabe sobre insuficiência cardíaca?

Autor:

Cristiano Carvalho de Oliveira

Formado em Medicina pela UFRJ em 2009/2 ⦁ Residência de Clínica Médica no HUCFF (UFRJ 2010 -2012) ⦁ Residência de Cardiologia no HUCFF (UFRJ 2012 – 2014) ⦁ Trabalho na Emergência do H. Pró-cardíaco ⦁ Ergometrista na CardioClin.

Referências:

  • Lozano Bahamonde A, Escolar Pérez V, Laskibar Asua A, et al; Subcutaneous furosemide in patients with refractory heart failure; BMJ Supportive & Palliative Care; May 2018. doi:10.1136/bmjspcare-2018-001570

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