Há associação entre fumo passivo e asma na infância?

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De acordo com um estudo chinês publicado no jornal Pediatric Pulmonology, existe uma associação positiva entre exposição pré e pós-natal ao fumo passivo e a ocorrência de asma na infância, síndrome tipo asma e de sibilância.

A exposição ao fumo passivo pode desencadear exacerbações de asma em crianças. Diferentes estudos relacionaram aumento dos sintomas de asma e até mesmo óbitos em crianças expostas ao fumo passivo, mas o risco não é quantificado uniformemente entre os estudos. Dessa forma, o objetivo dos pesquisadores foi investigar o papel da exposição ao fumo passivo como fator de risco para asma em crianças.

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Características do estudo

O estudo consistiu em uma revisão sistemática e metanálise com dados obtidos através do PubMed, Scopus e Google Acadêmico. Foram pesquisados artigos publicados de junho de 1975 a 10 de março de 2020. Estudos de coorte, de caso-controle e de corte transversal que relatam odds ratio (OR) ou estimativas de risco relativo (RR) e intervalos de confiança (IC) de todos os tipos de exposição ao fumo passivo e asma infantil foram incluídos.

Foram identificados 26.970 estudos. Destes, 93 estudos foram elegíveis e incluídos na metanálise (42 transversais, 41 de coorte e 10 de caso-controle). Os pesquisadores observaram uma associação significativamente positiva entre a exposição ao fumo passivo e asma diagnosticada pelo médico (OR = 1,24; IC 95% = 1,20-1,28), sibilância (OR = 1,27; IC95% = 1,23-1,32) e síndrome do tipo asma (OR = 1,34; IC95% = 1,34-1,64). Os gráficos de funil dos três resultados se inclinaram para a direita, indicando que os estudos favorecem uma associação positiva da doença com a exposição ao tabaco. Além disso, a análise de subgrupos demonstrou que as crianças menores tendem a sofrer mais com o desenvolvimento de asma diagnosticada pelo médico, mas os adolescentes sofreram mais com a sibilância. Não houve evidência de publicação significativa ou pequeno viés de estudo usando testes de Egger e Begg.

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Resultados

Esse estudo indica que a exposição a todos os tipos de tabagismo apresentou grandes riscos para as crianças desenvolverem asma, sibilância e síndrome do tipo asma e salienta que estudos anteriores mostraram que, em menos de 6 meses após o parto, cerca de 60% das mães voltaram a fumar e, dentro de um ano, mais de 80% recaem ao fumo após o parto. Além disso, os efeitos dessa exposição precoce à fumaça do fumo passivo podem durar mais de uma década e até continuar em uma geração adicional na linha materna.

Não somente o tabagismo dos pais influencia, mas também dos avós, por exemplo. Portanto, para os pais, é importante limitar todos os tipos de exposição ao tabaco das crianças durante a gravidez e durante toda a vida da criança; e para o governo, uma legislação deve ser feita em relação ao público e ao fumo doméstico. Dessa forma, preservando um ambiente limpo e saudável para as crianças.

Conclusão

Os pesquisadores concluíram que todos os tipos de exposição ao fumo passivo apresentavam riscos elevados para as crianças desenvolverem asma e alterar a função pulmonar. Além disso, destacam que os pais devem prestar atenção à prevenção de qualquer exposição ao tabaco e deve haver promoção à regulamentação do meio ambiente e à educação pré-natal por parte de governantes, preservando um ambiente limpo e saudável para as crianças.

A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) enfatiza que o impacto clínico e também social das enfermidades respiratórias na infância deve motivar o pediatra a enxergar o tabagismo passivo como uma doença, reconhecê-lo de forma sistemática na prática diária e buscar eliminá-lo da vida das crianças.

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Referências bibliográficas:

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Publicado por
Roberta Esteves Vieira de Castro

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