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Há benefício na manutenção do AAS em cirurgias vasculares de alto risco?

Tempo de leitura: 2 minutos.

O estudo POISE-2 foi desenvolvido para avaliar o uso de AAS e/ou clonidina no risco cardiovascular em pacientes submetidos a cirurgias não-cardíacas. Como mostrado por nós na reportagem da diretriz brasileira de perioperatório, nem o AAS nem a clonidina mostraram benefícios na redução do risco de eventos cardiovasculares, e no caso do AAS houve um aumento no risco de sangramento. Contudo, os procedimentos vasculares são considerados de alto risco para IAM e AVC, e acredita-se que neste grupo de maior risco poderia haver benefício da manutenção do AAS. Por isso, os pesquisadores realizaram uma análise post hoc exclusiva para cirurgias vasculares arteriais periféricas e de aneurisma de aorta, excluindo a endarterectomia carotídea, na qual o uso do AAS está comprovado!

Leia mais: AAS deve ser ajustado pelo peso na prevenção primária de eventos cardiovasculares?

No POISE-2, 10 mil participantes foram incluídos em vários centros no mundo, dos quais 265 realizaram cirurgia de aneurisma de aorta e 272 de bypass arterial periférico. A idade média foi de 68 anos, metade de cada sexo, 22% com coronariopatia associada, 38% de diabéticos e 24% tabagistas. Como resultado, não houve benefício do AAS na redução do risco de morte nem de infarto nos primeiros 30 dias após a cirurgia. E pior, o AAS aumentou o risco de sangramento. Nem para prevenir trombose aguda do enxerto arterial houve maior benefício.

Desse modo, os autores do estudo concluem que não há benefício em manter ou iniciar AAS no pré-operatório de cirurgias vasculares de alto risco (exclui carótida!), e pode haver maior risco de sangramento. Pelo contrário, os pesquisadores até sugerem uma meta-análise para avaliar se, de fato, o AAS não deve é ser suspenso neste tipo de cirurgia.

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Autor:

Ronaldo Gismondi

Doutorado em Medicina pela UERJ ⦁ Cardiologista do Niterói D’Or ⦁ Professor de Clínica Médica da Universidade Federal Fluminense

Referências:

  • Biccard, B. M., Sigamani, A. , Chan, M. T., Sessler, D. I., Kurz, A. , Tittley, J. G., Rapanos, T. , Harlock, J. , Szalay, D. , Tiboni, M. E., Popova, E. , Vásquez, S. M., Kabon, B. , Amir, M. , Mrkobrada, M. , Mehra, B. R., El Beheiry, H. , Mata, E. , Tena, B. , Sabaté, S. , Zainal Abidin, M. K., Shah, V. R., Balasubramanian, K. and Devereaux, P. J. (2018), Effect of aspirin in vascular surgery in patients from a randomized clinical trial (POISE‐2). Br J Surg. . doi:10.1002/bjs.10925

Um comentário

  1. benito annunciato

    É obvio, que não !!!!! Sangramento para todo lado !!!!

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