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mão de laboratorista colocando tubo de sangue com hemólise para centrifugação

Hemólise: quais as possíveis causas e como identificar

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Estima-se que os resultados de exames laboratoriais são responsáveis por 70% de todas as decisões médicas, contribuindo de maneira fundamental na prática médica diária. Exames com resultados precisos e confiáveis colaboram para um desfecho favorável do paciente, reduzindo os índices de morbimortalidade.

No passado, grande parte dos erros laboratoriais aconteciam na fase analítica, ou seja, durante a execução do exame propriamente dita. Com a evolução tecnológica, permitiu-se a implementação de metodologias mais modernas, programas de proficiência laboratorial, automação de procedimentos e de aparelhos, melhorando de sobremaneira a precisão e exatidão nesta etapa.

Hoje em dia, por ainda depender muito do fator humano, as maiores causas de não conformidades são referentes à etapa pré-analítica. E dentre todas as não conformidades pré-analíticas, a mais prevalente é a causada pela hemólise (de 40% a 70% de todas as amostras inadequadas).

Veja também: Qual a importância da ordem correta na coleta de exames laboratoriais?

Hemólise

A hemólise tem origem do grego hemo (sangue) e lyse (ruptura), referindo-se à liberação de componentes intracelulares para o meio extracelular, principalmente do conteúdo das hemácias (glóbulos vermelhos ou eritrócitos), mas também dos trombócitos (plaquetas) e leucócitos (glóbulos brancos). Após a etapa de centrifugação, a hemólise torna-se visível no soro ou plasma, gerando uma coloração avermelhada de variável intensidade, decorrente da presença da hemoglobina de hemácias lisadas.

Existem dois tipos de causas de hemólise: a que ocorre in vivo, decorrente de doenças sanguíneas (congênitas, adquiridas ou por iatrogenia), baseados em mecanismos extra ou intravasculares. Essa condição é independente da técnica de punção, e as concentrações dos analitos presentes nos tubos de coleta correspondem as concentrações plasmáticas do paciente, de modo que os resultados refletem verdadeiramente o estado atual do paciente. Alguns exemplos de causas in vivo de hemólise:

  • Danos mecânicos;
  • Reações transfusionais;
  • Deficiências enzimáticas;
  • Infecções;
  • Anemia hemolítica autoimune;
  • Hemoglobinopatias;
  • Hemoglobinúria paroxística noturna;
  • Defeitos da membrana eritrocitária.

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Já quando uma hemólise é detectada, sem que exista uma causa subjacente in vivo que a justifique, deve-se sempre suspeitar da hemólise in vitro (que corresponde a cerca de 98% do total das amostras hemolisadas). Esse tipo ocorre quando há uma ruptura das membranas celulares durante a coleta da amostra, no seu armazenamento e/ou no transporte. Os motivos da hemólise in vitro mais prevalentes são:

  • Veias frágeis, de calibre reduzido;
  • Contaminação da agulha com álcool;
  • Calibre inadequado da agulha e volume grande da seringa;
  • Alta pressão e velocidade de aspiração;
  • Enchimento incompleto dos tubos;
  • Distribuição do sangue das seringas para os tubos a vácuo por meio da perfuração de sua tampa;
  • Conexões frouxas dos componentes do sistema de flebotomia;
  • Coleta em cateter periférico;
  • Agitação vigorosa dos tubos;
  • Transporte inadequado;
  • Temperaturas fora dos padrões;
  • Velocidade excessiva de centrifugação.

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Como identificar a hemólise

Laboratorialmente, conseguimos diferenciar as hemólises da seguinte maneira: na in vivo, ocorre um aumento da hemoglobina, do LDH, do índice de reticulócitos e da bilirrubina livre, sem aumento do potássio, além da diminuição da haptoglobina. Já na hemólise in vitro, ocorre um aumento paralelo de hemoglobina, LDH, potássio e AST (TGO), com concentrações normais de haptoglobina e do índice de reticulócitos.

A interferência nos ensaios laboratoriais depende fundamentalmente da magnitude da hemólise, do analito a ser determinado e da metodologia utilizada. Alguns exemplos de exames que podem ser afetados pela hemólise são: AST (TGO), ALT (TGP), fosfatase alcalina, GGT, bilirrubina, LDH, magnésio, fósforo, potássio, cálcio, CK, troponinas, glicose, sódio, cloro, ferro, lipase, insulina, T4, proteína total, albumina, fosfatase ácida.

Por conta de sua alta prevalência (a hemólise pode ocorrer em até 3,3% do total das amostras de rotina) e do seu impacto nos resultados laboratoriais, o médico solicitante deve ser capaz de diferenciar e reconhecer as causas de alterações mais importantes da hemólise. Um contato próximo com o laboratório é sempre importante e necessário, a fim de mitigar resultados inadequados, os quais podem levar a condutas inapropriadas.

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Referências bibliográficas:

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  • Henry JB. Diagnósticos Clínicos e Tratamento por Métodos Laboratoriais. 20ª ed. São Paulo: Editora Manole; 2008.
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  • SBPC/ML. Recomendações da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML): fatores pré-analíticos e interferentes em ensaios laboratoriais. 1.ed. Barueri: Manole; 2018.

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