Hemorragia puerperal: prevenir com ácido tranexâmico na cesárea diminui a mortalidade?

Tempo de leitura: 2 min.

A hemorragia puerperal é a maior causa mundial de morte materna e de histerectomia periparto. Mesmo antes da pandemia causada pela Covid-19, entidades como a Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia – FEBRASGO, já estava preocupada com o aumento da mortalidade materna no Brasil. Em 2018, junto com a Organização Pan Americana da Saúde, representantes de ambas as organizações desenvolveram um debate com o objetivo de delinear estratégias para diminuir a mortalidade materna em nosso país, durante o Congresso Mundial de Ginecologia e Obstetrícia- FIGO.

De 2018 até hoje, esse cenário não obteve melhora, além de ter piorado devido a pandemia causada pelo SARS-CoV-2. Por isso é importante estarmos atentos a novas pesquisas e artigos que abordam esse tema.

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Estudo sobre hemorragia puerperal e ácido tranexâmico

No dia 29 de Abril de 2021, foi publicado um ensaio clínico duplo-cego e randomizado no New England Journal of Medicine. Esse artigo teve como objetivo de estudar uma possível prevenção da hemorragia pós-cesárea com o uso de uma grama de ácido tranexâmico após o clampeamento do cordão umbilical e a administração do uterolítico profilático. Foram separados dois grupos, nos quais um foi administrado placebo e no outro o ácido tranexâmico.

As mulheres que receberam o ácido tranexâmico profilático tiveram uma menor perda sanguínea e foram menos transfundidas do que as mulheres do grupo placebo. Porém, não houve grande diferença no desfecho clínico delas. Além disso, no decorrer dos 3 meses após o parto cesariano, houve mais eventos tromboembólicos no grupo controle. Concluindo, que ainda são necessários mais estudos para o ácido tranexâmico ser usado como protocolo de profilaxia de hemorragia puerperal.

Considerações

Devemos lembrar que a recomendação para prevenção de hemorragia puerperal feita pela FEBRASGO em novembro de 2020 foi de administrar via intramuscular dez unidades de ocitocina imediatamente após o nascimento, associada ao manejo ativo do terceiro período.

Leia também: TOC na gravidez e no pós-parto é frequente?

Vale frisar que não perder o momento oportuno de agir em uma hemorragia pós-parto pode fazer grande diferença no desfecho clínico da paciente. Seguir adequadamente o sequenciamento para controle desse sangramento agudo diminui a mortalidade materna. Sendo necessário o treinamento de toda equipe que presta assistência obstétrica. 

Autora:

Referência bibliográfica:

  • Loïc Sentilhes, M.D., et al. Tranexamic Acid for the Prevention of Blood Loss after Cesarean Delivery. N Engl J Med. April 29, 2021 2021; 384:1623-1634. doi: 10.1056/NEJMoa2028788

 

 

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Publicado por
Letícia Suzano Lelis Bellusci

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