Infectologia

Herpes-zóster: Número de casos cresce no país e estudos indicam direta relação com a pandemia

Tempo de leitura: 3 min.

Atualmente, cientistas apontam fortes indícios da relação do novo coronavírus com o aparecimento de outras doenças. Em alta entre adultos que foram infectados pela Covid-19 está o vírus da varicela, causador do herpes-zóster. Normalmente, a enfermidade normalmente atinge indivíduos acima de 70 anos, que tiveram catapora na infância.

Estudos preliminares realizados pelos pesquisadores da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes), utilizando informações do Sistema Único de Saúde (SUS), compararam o número de diagnósticos de herpes-zóster de março a agosto de 2017 a 2019, com o mesmo período de 2020, nas cinco regiões brasileiras.

Os dados apontaram uma alta de 35% no número de diagnósticos da doença ao longo dos anos e o impacto negativo durante a pandemia em todo o país.

A pesquisa ainda detectou que antes da pandemia havia no Brasil cerca de 30 casos a cada um milhão de habitantes, e com a chegada da pandemia, esse número saltou para mais de 40 casos por um milhão de habitantes, principalmente nas regiões centro-oeste e sudeste.

Portanto, embora a associação entre as duas enfermidades não seja bem estabelecida, o estudo mostrou um aumento dos casos de herpes-zóster durante a pandemia de Covid-19, o que sugere uma correlação entre essas duas doenças.

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Mais sobre herpes-zóster

Altamente contagiosa, mas geralmente benigna, a doença costuma se manifestar com maior frequência em idosos. No entanto, o herpes-zóster tem se aproveitado da baixa imunidade do paciente adulto infectado pelo novo coronavírus para ser reativado pelo organismo com baixa imunidade. 

“Alojado na coluna espinhal de pacientes que já tiveram catapora, o herpes-zóster pode permanecer inativo durante anos ou em estado latente, podendo ser reativado por motivos diversos, passando por um sistema imunológico fragilizado ou envelhecido, até mesmo fatores externos como ansiedade e outros problemas que afetam a saúde mental fazendo assim com que o vírus se desloque para a pele”, explicou o infectologista Alexandre Cunha, que atua no Grupo Sabin Medicina Diagnóstica.,em entrevista ao Portal de Notícias da PEBMED.

As lesões na pele, acompanhadas de dor intensa, são os principais sintomas da enfermidade, que atualmente afeta 41 pessoas por milhão de brasileiros.

“O diagnóstico é fundamentalmente clínico, com a observação de lesões cutâneas, que primeiramente são avermelhadas, evoluindo para vesículas e, na fase mais tardia, evoluem para crostas. Essas lesões aparecem associadas aos sintomas inicialmente de ardor, coceira e mais tarde de dor intensa, podendo aparecer no tronco, no pescoço, na face ou no couro cabeludo”, complementou o especialista.  

O médico ainda fez outra observação importante. “Se não tratado de forma rápida e adequada, as complicações podem ser graves, afetando terminações nervosas nos olhos, rosto e ouvido dos pacientes, provocando paralisia, perda visual ou auditiva”.

Leia também: Herpes-zóster oftálmico: como identificar e tratar?

O tratamento é realizado com a indicação de antivirais. Metade dos pacientes tem uma recuperação completa, já a outra metade pode sofrer com neuralgia pós-herpética, que é a dor crônica em áreas da pele supridas por nervos infectados pelo herpes-zóster, que pode durar alguns dias ou até meses.

Já o tratamento de neuralgia pós-herpética pode incluir medicamentos anticonvulsivantes, antidepressivos , analgésicos e antiinflamatórios.

 *Esse artigo foi revisado pela equipe médica da PEBMED

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Publicado por
Úrsula Neves

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