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Highlights do novo PCDT de hepatite C e coinfecções: você conhece as principais mudanças?

Tempo de leitura: 3 minutos.

A hepatite C é uma doença viral presente em todo o mundo e constitui uma das principais causas de doença crônica do fígado e transplante hepático. O número estimado de pessoas cronicamente infectadas atinge cerca de 180 milhões, segundo a última diretriz da Sociedade Europeia de Hepatologia (EASL) de 2016.

O arsenal terapêutico disponível através do SUS inclui os antivirais de ação direta (DAAs), como o sofosbuvir (análogo nucleotídeo que inibe a polimerase do HCV), daclatasvir (inibidor do complexo enzimático NS5A), simeprevir (inibidor de protease), além da associação dos fármacos ombitasvir (inibidor de NS5A), dasabuvir (inibidor não nucleosídico da polimerase NS5B), veruprevir (inibidor de protease NS3/4A) e ritonavir (potencializador farmacocinético) – denominada de 3D, contemplada nesse novo PCDT.

O objetivo principal da terapia antiviral é a cura da infecção. Espera-se uma resposta virológica sustentada (RVS) definida por carga viral (HCV RNA) indetectável após 12 ou 24 semanas do término do tratamento. Os estudos demonstram que a RVS está associada à normalização das transaminases, regressão da necroinflamação e fibrose em pacientes não cirróticos, além de reduzir os riscos de complicações como insuficiência hepática e hipertensão portal. Os dados publicados pelo EASL sugerem que o risco de carcinoma hepatocelular e mortalidade por todas as causas também são reduzidos, mas não eliminados em pacientes cirróticos.

Em setembro de 2017 foi publicado pelo Ministério da Saúde o novo Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Hepatite C e coinfecções, com o objetivo de oferecer uma estratégia custo-efetiva para tratamento de hepatite C, conforme evidências científicas mais recentes e a disponibilidade de novas opções terapêuticas.

As principais mudanças apontadas nesse novo Protocolo, se comparadas com a antiga publicação de 2015, incluem:

– Ampliação do tratamento antiviral para pacientes com fibrose F2 de Metavir pela elastografia hepática ou biópsia hepática ou marcadores séricos de fibrose hepática (APRI >0,5 e FIB 4 > 1,45).
– Possibilidade do uso do daclatasvir em pacientes com genótipo 2 (intolerantes à ribavirina ou com cirrose).
– Extensão de tratamento para 24 semanas dos pacientes cirróticos e com genótipo 3.
– Para os genótipos 4, 5 ou 6 está recomendado o tratamento com sofosbuvir e daclatasvir por 24 semanas, se Child-Pugh B ou C.
– O protocolo atual diferencia o tratamento de pacientes com genótipo 1a e 1b devido a introdução do esquema 3D (ombitasvir, veruprevir/ritonavir e dasabuvir). A terapia com 3D está indicada em:

  1. Pacientes genótipo 1a, monoinfectados e sem cirrose associada à ribavirina por 12 semanas.
  2. Pacientes genótipo 1b, monoinfectados, com ou sem cirrose, associada ou não à ribavirina por 12 semanas.
  3. Pacientes com genótipo 1, coinfectados pelo HIV na presença de insuficiência renal (clearance de creatinina <30 ml/min), após ajuste da medicação antirretroviral.

– Redução do tempo de tratamento de 24 semanas para 12 semanas em pacientes com genótipo 1, coinfectados HCV/HIV ou experimentados com telaprevir ou boceprevir, sem cirrose.

Todas as mudanças preconizadas no novo PCDT constituem um avanço em termo de abrangência do tratamento e disponibilidade de novos medicamentos eficazes para a cura do vírus da hepatite C. Como a principal mudança incluiu a ampliação do tratamento para pacientes com fibrose moderada (F2 de Metavir – por biópsia, elastografia ou marcadores séricos), a perspectiva é de que nos próximos anos já possam ser contemplados todos os pacientes com hepatite C crônica, independentemente do grau de fibrose.

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Referências:

  • Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância e Saúde. Departamento de Vigilância, Prevenção e Controle das IST, do HIV/AIDS e das Hepatites Virais. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Hepatite C e Coinfecções. Brasília: Ministério da Saúde, 2017.
  • EASL Recommendations on Treatment of Hepatitis C 2016. J Hepatol (2016), http://dx.doi.org/10.1016/j.jhep.2016.09.001

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