Hipertermia: o que o clínico e o pediatra devem saber

As manifestações clínicas da hipertermia incluem: taquicardia, sudorese intensa, cefaleia, náusea entre outros.

Conforme o verão se aproxima, já se iniciaram ondas de calor por todo o Brasil. Com isso, surgem também as doenças relacionadas ao calor, variando desde miliária até insolação. Este artigo busca trazer as principais diferenças entre febre e insolação. Dessa forma, o médico pode proceder com a investigação e o tratamento adequados, a partir da correta definição etiológica da hipertermia.  

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Hipertermia, febre ou insolação? Confira as diferentes definições, na íntegra:

  • Febre: complexa reação fisiológica à infecção ou a outro tipo de dano, no qual o próprio organismo se submete temporariamente a um estresse térmico (aumento da temperatura corporal); 
  • Exaustão térmica (heat exhaustion): pacientes submetidos à exposição ambiental a altas temperaturas, levando a temperatura corporal entre 37 e 40ºC acompanhada de sintomas inespecíficos, mas geralmente leves. Trata-se de um estágio anterior à insolação propriamente dita. Crianças e idosos estão mais sujeitos a apresentar essa condição; 
  • Insolação (heat stroke): pacientes submetidos à exposição ambiental a temperaturas extremamente altas, levando a temperatura corporal entre 40 e 40,5ºC associada à disfunção do sistema nervoso central (SNC). Em pediatria, a principal causa está relacionada a crianças serem deixadas dentro de carros por acidente e pacientes com algumas doenças de base que prejudicam a termorregulação, incluindo displasia ectodérmica, fibrose cística e hipertireoidismo.  

Em suma, na febre há um aumento fisiológico e transitório da temperatura interna em resposta a uma injúria. Já na exaustão térmica e na insolação, ocorre o oposto: há um aumento de temperatura no meio externo, que acarreta o aumento da temperatura interna e todas as consequência descritas a seguir.  

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sol e hipertermia

Manifestações clínicas da hipertermia

A exaustão térmica tem sintomas que podem se sobrepor aos da insolação, embora geralmente mais leves. As manifestações clínicas incluem: taquicardia, sudorese intensa, cefaleia, náusea, fraqueza, vertigem e irritabilidade, além da elevação da temperatura. 

Alguns desses sintomas também podem ocorrer nos quadros febris. No entanto, o contexto (história de exposição a temperaturas altas versus sintomas sugestivos de doença infecciosa) direciona para o correto diagnóstico e tratamento.  

Nos casos de insolação, além de uma temperatura corporal extremamente alta, chama atenção o envolvimento de SNC, com confusão mental importante, perda da consciência (coma), crises convulsivas e morte, caso o quadro não seja rapidamente revertido.  

Tratamento da hipertermia

A febre deve ser conduzida com parcimônia, justamente pela sua fisiopatologia e por ser uma manifestação benigna, devendo ser tratada apenas para dar conforto ao paciente. O uso de antitérmicos deve ser feito de forma responsável, evitando intercalar medicamentos diferentes e fazer uso de altas doses rotineiramente. Também devem ser evitadas medidas como banhos frios ou compressas geladas, já que são pouco eficazes e causam mais desconforto para o paciente do que a própria febre. 

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Nos casos de hipertermia relacionada à exaustão térmica ou insolação, o manejo tem como base o rápido resfriamento do corpo do paciente tendo, inclusive, implicações prognósticas. Além de medidas gerais de suporte e monitorização, as condutas indicadas incluem:

  • Retirada do paciente do ambiente quente; 
  • Ingestão de líquidos frios (caso o nível de consciência permita); 
  • Retirada de toda a roupa ou, pelo menos, do excesso de roupas; 
  • Resfriamento direto do corpo (compressas geladas na fronte, pescoço, axilas e virilhas, banho gelado ou, simplesmente, molhar o corpo com água fria). 

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Referências bibliográficas: Ícone de seta para baixo
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