Ginecologia e Obstetrícia

Histerectomia total videolaparoscópica em pacientes com endometriose profunda

Tempo de leitura: 2 min.

A histerectomia é o procedimento ginecológico mais comum para doenças benignas, podendo ser realizado de diversas maneiras: laparotômica, vaginal, laparoscópica ou através da robótica. Dentre as vantagens em utilizar técnicas minimamente invasivas, estão: diminuição da dor pós-operatória, das taxas de infecção, da perda sanguínea e uma curta permanência hospitalar.

A endometriose profunda é uma forma grave de doença que pode causar sintomas debilitantes de dor, frequentemente envolvendo órgãos não ginecológicos, como intestino, ureter e bexiga. Pacientes com endometriose profunda podem necessitar de histerectomia devido a indicações que podem ou não estar relacionadas com a própria doença. Embora a cirurgia poupadora de fertilidade seja obviamente desejável para uma paciente nulípara mais jovem com endometriose profunda, uma abordagem mais radical pode ser necessária para a paciente com prole constituída ou idosa que sofre de doenças intratáveis ​​ou com dor pélvica crônica recorrente. Nesse caso, as vias abdominal, laparoscópica ou robótica podem ser escolhidas. Quando a histerectomia é planejada para uma paciente com endometriose profunda, os passos cirúrgicos devem se adaptar aos sintomas paciente. Diferentemente do que ocorre para o procedimento devido a outra patologia ginecológica benigna mais simples.

Leia também: 5 procedimentos e tratamentos ginecológicos que devem ser evitados 

Estudo

Neste ano de 2022, foi publicado um artigo na Elsevier com o objetivo de discutir os desafios e as considerações operatórias e pós-operatórias específicas em pacientes submetidas a histerectomia total videolaparoscópica e exérese de endometriose profunda, em comparação com aquelas submetidas ao procedimento devido a outras indicações benignas.

Foram incluídas pacientes submetidas à histerectomia total videolaparoscópica e excisão de endometriose profunda. Essas pacientes foram pareadas com casos tratados com histerectomia total videolaparoscópica para outras indicações benignas, durante o mesmo período (2010 a 2019), na proporção de 2:1. Os dois grupos foram comparados quanto a características e dados intraoperatórios e pós-operatórios, incluindo tempo operatório, perda de sangue estimada, internações hospitalares e taxas de complicações.

No grupo das pacientes com endometriose profunda, o tamanho médio do nódulo da endometriose foi de 2,5 cm (variação: 1,3 a 4,2 cm). A histerectomia simples foi realizada em 10 mulheres, e um procedimento mais extenso em 8 casos. Todos os nódulos intestinais foram removidos utilizando a técnica de shaving. A perda sanguínea estimada média foi significativamente maior (p ¼ 0,027), e a duração da cirurgia e internação mais longa, no grupo das pacientes com endometriose profunda quando comparada com as pacientes submetidas ao procedimento mais simples. As taxas de complicações a longo prazo também foram maiores, mas não houve um aumento significativo (p = 0,087).

A análise dentro do grupo de endometriose profunda mostrou que o tempo operatório foi significativamente relacionado ao tamanho do nódulo, tipo de histerectomia, presença de adenomiose, tamanho uterino e ocorrência de complicações. Quanto maior a endometriose profunda, maior o procedimento em extensão e tempo, com aumento significativo da perda sanguínea, o que também teve um efeito importante no risco de complicações.

Histerectomia total videolaparoscópica em pacientes com endometriose profunda é um procedimento diferente, complexo e potencialmente mais perigoso quando comparado com histerectomia total videolaparoscópica para outras indicações benignas. Um conhecimento aprofundado da anatomia retroperitoneal, do plano operatório claro e excelentes habilidades laparoscópicas são necessários para a excisão radical concomitante de lesões, com baixas taxas de eventos adversos.

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Publicado por
Letícia Suzano Lelis Bellusci

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