Emergências

Hospitais do RJ deverão ter catálogos sobre animais peçonhentos

Tempo de leitura: 3 min.

Hospitais e unidades de saúde de pronto atendimento do estado do Rio de Janeiro deverão conter quadros de avisos com orientações sobre animais peçonhentos. É o que determina a lei estadual Nº 8608/19, sancionada pelo governador Wilson Witzel e publicada no Diário Oficial do Poder Executivo, no último dia 6.

Segundo a nova lei, os catálogos podem ser físicos ou digitais, mas devem estar disponíveis em locais comuns a pacientes, médicos e outros profissionais de saúde, com acesso livre a quem interessar. Nele, cada animal peçonhento deve ter foto e os sintomas que o acidente pode provocar, contendo também a informação de quais espécies são as mais preocupantes.

As unidades têm até 180 dias para providenciar o material e disponibilizá-lo. Após esse período, os locais que não cumprirem poderão sofrer sanções descritas na lei, como multa.

Leia também: Você sabe tratar uma picada por aranha-marrom?

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Acidentes por animais peçonhentos

Os acidentes por animais peçonhentos são uma importante causa de morbimortalidade, principalmente entre as populações rurais. Com mais de 1,800 milhão de casos em todo o mundo, tendo como resultado mais de 94 mil óbitos, a Organização Mundial da Saúde (OMS) incluiu esse problema na lista de Doenças Tropicais Negligenciadas. No Brasil, esses animais estão como segunda maior causa de envenenamento humano, sendo a primeira a intoxicação por medicamentos.

No país, segundo o Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde publicado este ano, os acidentes com serpentes aparecem em primeiro lugar como os que mais mataram entre os anos de 2007 e 2017. Em segundo estão os escorpiões (apesar de terem mais casos registrados que as cobras), seguido das abelhas. Segundo o boletim, porém, ainda há uma subnotificação de acidentes desse tipo, dificultando um entendimento maior do assunto.

As aranhas, mesmo estando em segundo lugar na quantidade de acidentes notificados, aparecem atrás das abelhas nos números de óbitos. Isso acontece porque, apesar da grande quantidade de espécies, apenas três delas possuem relevância clínica: aranha-marrom (Loxosceles), aranha-armadeira (ou macaca, Phoneutria) e viúva-negra (Latrodexus).

Além desses animais, também aparecem casos com lagartas e, em menores números, formigas, besouros, lacraias, vespas, peixes venenosos, águas-vivas, caravelas e outros.

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Diagnóstico e tratamento

É muito importante identificar qual o animal causador e tentar identificar a espécie. Cada um deles pode ser identificado de uma maneira. Para acidentes ofídicos, por exemplo, pode-se perguntar ao paciente se ele conseguiu ver alguma dessas questões: se a cobra possuía fosseta loreal, se tinha cauda lisa ou escamada e se tinha anéis coloridos pelo corpo, como mostra o quadro.

In manual de diagnóstico e tratamento de acidentes por animais peçonhentos, 2ª ed, 2001.

Além da identificação da causa, o diagnóstico, em alguns casos, pode precisar de exame complementar. Para a cobra “coral verdadeira” (família Elapidae, gêneros Micrurus e Leptomicrurus) pode ser necessário realizar monitorização da saturação de oxigênio por oximetria de pulso (SpO2) e medida dos gases arteriais em pacientes com dificuldade respiratória.

Acidentes graves por aranha-armadeira podem apresentar como sintomas, como prostração, sudorese profusa, hipotensão, priapismo, diarreia, bradicardia, arritmias cardíacas, convulsões, cianose. Nestes casos, pode ser necessário avaliar o perfil laboratorial dos gases arteriais, glicemia e eletrólitos, e, se edema pulmonar ou hipotensão/choque, radiografia de tórax e ecocardiografia também podem ser feitas para avaliação da função miocárdica.

O paciente deve receber o soro antiveneno, dependendo da espécie e situação. Além disso, é importante fazer tratamento sintomático, podendo utilizar medidas para alívio da dor, como compressas mornas em casos de picadas de aranha-armadeira ou viúva-negra.

Informações mais específicas sobre a abordagem de cada animal podem ser encontradas no Guia de Intoxicações do Whitebook!

*Esse artigo foi revisado pela equipe médica da PEBMED

Referências bibliográficas:

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Publicado por
Clara Barreto

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