Coronavírus

Hospitalizações e letalidade da Covid-19 em crianças está caindo, indica SBP

Tempo de leitura: 3 min.

Uma análise dos dados epidemiológicos mais recentes sobre a Covid-19 demonstra que a taxa de hospitalizações e óbitos de crianças e jovens pelo novo coronavírus caiu no primeiro trimestre de 2021.

O levantamento, realizado em conjunto pelos Departamentos Científicos de Imunizações e de Infectologia da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), considerou os dados oficiais do Ministério da Saúde sobre o contágio e comportamento da doença no grupo de zero a 19 anos de idade.

Esclarecimentos importantes

Assinado pelos médicos pediatras Marco Aurélio Sáfadi, presidente do Departamento Científico (DC) de Infectologia, e Renato de Ávila Kfouri, do DC de Imunizações, o estudo traz esclarecimentos relevantes para a classe médica e a sociedade em geral, no momento em que o aumento da transmissão da doença causa maior preocupação no país.

“Em 2021, até o presente momento, observamos menor proporção de hospitalizações, menor proporção de mortes e menor taxa de letalidade nas crianças e nos adolescentes de zero a 19 anos em comparação ao ano de 2020. A análise das taxas de letalidade entre os hospitalizados por síndrome respiratória aguda grave (SRAG) devida à Covid-19 ainda mostrou menores taxas em 2021 em comparação com 2020. A tendência de redução de letalidade foi uniforme nos diferentes estratos de idade.”, diz o documento.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria, a taxa de letalidade em crianças e adolescentes hospitalizados por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) relacionada à Covid-19 foi de 8,2% (1.203/14.638) em 2020, caindo para 5,8% (121/2.057) em 2021.

Entretanto, especialistas dizem que o grande número de casos de Covid-19 no país aumentou a probabilidade de bebês e crianças pequenas no Brasil serem afetados.

“É claro que quanto mais casos tivermos e, por consequência, quanto mais internações, maior será o número de óbitos em todas as faixas etárias, inclusive crianças. Mas, se a pandemia fosse controlada, esse cenário evidentemente poderia ser minimizado”, disse Renato Kfouri, em entrevista à BBC News Brasil.

O estudo realizado pela SBP parte da premissa observada durante a pandemia, em que crianças e adolescentes apresentaram formas clínicas leves ou assintomáticas, assim como número reduzido de casos graves após contágio pelo novo coronavírus, para avaliar se há maior risco nesse momento, em que mutações do vírus foram identificadas.

Maior vulnerabilidade entre crianças negras e pobres

Um estudo observacional de 5.857 pacientes com Covid-19 com menos de 20 anos, realizado por pediatras brasileiros liderados por Braian Lucas Aguiar Sousa, do Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina da Universidade São Paulo (USP), identificou as comorbidades e vulnerabilidades socioeconômicas como fatores de risco para o pior resultado da Covid-19 em crianças.

Leia também: Influência de raça e etnia na síndrome respiratória aguda grave por SARS-CoV-2

Individualmente, a maioria das comorbidades incluídas foram fatores de risco. Ter mais de uma comorbidade aumentou quase dez vezes o risco de óbito (OR 9 · 67 IC 95% 6 · 89-13 · 57). Em comparação com as crianças brancas, os indígenas, os pardos (mistos) e os do leste asiático tiveram um risco significativamente maior de mortalidade. Também foi encontrado um efeito regional (maior mortalidade no Norte) e um efeito socioeconômico (maior mortalidade em crianças de municípios menos desenvolvidos socioeconomicamente).

Além do impacto das comorbidades, essas crianças também correm o risco de desnutrição, o que prejudica a resposta imunológica do organismo.

*Esse artigo foi revisado pela equipe médica da PEBMED

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Úrsula Neves

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