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Identificado novo tipo de demência comum em pessoas acima de 80 anos

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Foi identificado um novo tipo de demência comum em pessoas acima de 80 anos. Confundido até agora com o mal de Alzheimer, a doença de LATE foi apresentada ao mundo por uma equipe internacional de cientistas, liderada pelo norte-americano Peter Nelson, da Universidade de Kentucky, que publicou um artigo na revista especializada Brain.

Explicando melhor, a equipe descreveu um novo tipo de demência, batizado de LATE (acrônimo de “encefalopatia TDP-43 límbico”), que aparentemente é tão comum quando o Alzheimer nas pessoas acima de 80 anos. No LATE, é possível identificar a proteína, a TDP-43, relacionada a outros males do sistema nervoso, como a esclerose lateral amiotrófica.

Há um crescente consenso de que uma variedade de enfermidades e processos de doenças contribui para a demência. Cada uma dessas doenças aparece de forma diferente quando uma amostra de cérebro é examinada na autópsia. No entanto, tem sido cada vez mais claro que, na idade avançada, um grande número de pessoas apresentava sintomas de demência sem os sinais indicadores em seu cérebro na autópsia.

“Tudo indica que há um consenso de que existe outra patologia para os mais velhos, além do Alzheimer. Conforme vai aumentando a vida média das pessoas, aparecem novos tipos de demência”, explica bioquímico Jesús Ávila, diretor científico da Fundação Centro de Investigação de Doenças Neurológicas (CEM) de Madri.

Os autores do estudo sustentam que os sinais do LATE estão presentes em mais de 20% dos cérebros analisados de pessoas com mais de 80 anos.

Leia maisEntenda a relação entre fragilidade, demência e cognição

A equipe da neurocientífica Virginia Lee, da Universidade da Pensilvânia, observou em 2006 a presença de indícios da proteína TDP-43 na degeneração lobular frontotemporal do cérebro, um dos principais tipos de demência junto ao Alzheimer, a demência de corpos de Lewy e a demência vascular. No caso de Late, a TDP-43 costuma se concentrar na amígdala e no hipocampo, duas áreas do cérebro relacionadas, respectivamente, com as emoções e com a memória autobiográfica.

Para ajudar nesta nova descoberta científica, o Instituto Nacional de Envelhecimento dos Estados Unidos lançou diretrizes que auxiliam na identificação do novo tipo de demência e na compreensão do seu progresso. Ficou com curiosidade? Confira aqui.

“A orientação fornecida neste relatório, incluindo a definição do LATE, é um passo crucial para aumentar a conscientização e o avanço da pesquisa tanto para essa doença quanto para a doença de Alzheimer”, conta Richard J. Hodes, diretor do Instituto Nacional do Envelhecimento (NIA).

O LATE e o TDP-43 também foram apresentados como tópicos científicos emergentes na recente Cúpula de Dementias Relacionadas à Doença de Alzheimer, em 2019, na qual os apresentadores prenunciavam as prioridades de pesquisa abordadas no artigo publicado em abril no Brain.

Pesquisadores indicaram possíveis estratégias para ajudar a orientar futuras intervenções terapêuticas, incluindo a importância da remoção de indivíduos com LATE de outros ensaios clínicos, o que poderia melhorar significativamente as chances de sucesso de Alzheimer. Esses pesquisadores também discutiram a importância de mais estudos epidemiológicos, clínicos, de neuroimagem e genéticos para melhor caracterizar o LATE e a necessidade de pesquisas em populações diversas.

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