Endocrinologia

IMC mais alto pode ter relação com variação e duração do sono?

Tempo de leitura: 2 min.

O sono desregulado geralmente é associado a resultados negativos na saúde da população, sendo realizados diversos estudos com esta hipótese. Porém, muitos deles usam como dados o relato dos pacientes, que muitas vezes depende de memória e de outros fatores, fazendo com que detalhes importantes não sejam abordados.

Atualmente, a tecnologia tem proporcionado mais ferramentas digitais de monitoramento de saúde, inclusive do sono. Foi utilizando uma dessas ferramentas, da Fitbit Inc, que um estudo de coorte retrospectivo monitorou 200 mil pessoas durante dois anos para entender a relação da variação do sono com o índice de massa corporal (IMC).

Os resultados foram publicados, no último mês, no JAMA Internal Medicine.

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Sono e IMC

Os usuários do dispositivo forneceram informações demográficas básicas. Foram excluídos indivíduos sem sexo ou informação de IMC e pessoas com menos de cem dias de dados informados. As informações foram avaliados para (1) duração do sono e (2) variabilidade do sono usando o desvio padrão da duração do sono.

Leia também: Sono e envelhecimento [parte 1]: Alterações fisiológicas e abordagem geral em idosos

Os 120.522 indivíduos incluídos demonstraram uma duração média de 6 horas e 47 minutos durante a noite, com uma mediana de 256 noites informadas (intervalo interquartil 156-342). Porém, mesmo com durações de sono semelhantes, a variabilidade do sono diferia substancialmente.

Quando analisado por IMC, pessoas com IMC >30 tinham duração média de 6,62 horas versus 6,87 dos outros pacientes (0,85 vs 0,76; P <0,001) e sono mais variável (1,46 [0,38] vs 1,38 [0,37] horas; P <0,001).

Conclusões

O estudo sugere que a duração e padrão do sono estão intimamente ligados ao controle de peso e saúde geral. Apesar disso, a associação não pode ser considerada uma evidência robusta pela limitações apresentadas: o IMC era um dado autorrelatado, e as medidas do sono foram estimadas por sensores ópticos (acelerômetros) e não por polissonografia padrão.

Além disso, pessoas mais propensas a usar dispositivos digitais como o utilizado costumam ser de um nível socioeconômico mais elevando, não podendo extrapolar os resultados para todas as realidades. Novos estudos, com um acompanhamento mais direto e grupos de comparação são necessários.

*Esse artigo foi revisado pela equipe médica da PEBMED

Referência bibliográfica:

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Publicado por
Clara Barreto
Tags: IMCsono

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