Ortopedia

Imobilização para fraturas proximais do úmero: 1 ou 3 semanas de uso de tipoia?

Tempo de leitura: 2 min.

As fraturas da região proximais do úmero representam 4-5% de todas as fraturas e correspondem a 45-50% das fraturas envolvendo o úmero. Possuem incidência aumentando conforme a idade principalmente em mulheres idosas. Estas fraturas são tratadas com diferentes estratégias dependendo do grau de desvio e das condições clínicas dos pacientes.

Embora ainda existam discordâncias na literatura quanto a melhor opção de tratamento, fraturas minimamente ou moderadamente desviadas podem ser tratadas de maneira não cirúrgica, assim como as fraturas com maior desvio nos pacientes sem condições clínicas que permitam a cirurgia.

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Fraturas proximais do úmero

O tratamento conservador é realizado com imobilização utilizando tipoia seguido por um programa de exercícios para ganho de arco de movimento a fim de se recuperar a mobilidade e a função da articulação. Apesar de ser frequentemente realizado, ainda não há definição do período ideal de uso da imobilização e poucos estudos investigaram as diferenças entre o uso por períodos mais curtos da imobilização com tipoia.

Um estudo prospectivo randomizado foi recentemente publicado na revista “The Journal of Bone and Joint Surgery “ com o objetivo de determinar as diferenças entre pacientes que foram tratados utilizando imobilização por período de uma ou três semanas.

Os participantes da pesquisa foram divididos em 2 grupos: imobilização por 1 semana (grupo I) e imobilização por 3 semanas (grupo II). Os grupos foram avaliados comparando a dor e a função do ombro. Para avaliação da dor foi utilizada a Escala Visual Analógica para dor (EVA 0-10) registrada com 1 e 3 semanas,3, 6, 12 e 24 meses.

A função foi avaliada com o uso de dois questionários específico para ombro, Simple Shoulder Test (SST) e a pontuação de Constant, ambos registrados aos 3, 6, 12 e 24 meses de acompanhamento. Complicações e desvio secundário também foram registrados.

O estudo incluiu 143 pacientes (88 mulheres e 23 homens) que foram randomizados nos dois grupos totalizando 55 pacientes alocados ao grupo I e 56 ao grupo II. A idade média dos pacientes foi de 70,4 anos (variação de 42 a 94 anos). Nenhuma diferença significativa foi encontrada entre os 2 grupos em termos de dor utilizando a escala EVA em qualquer ponto de tempo. Nenhuma diferença significativa foi encontrada na pontuação de Constant ou pontuação SST em qualquer momento.

Nenhuma diferença significativa foi observada na taxa de complicações apresentadas.

Leia também: Ácido tranexâmico: Seu uso nas fraturas proximais do úmero reduz a perda sanguínea?

Conclusões

Os resultados do estudo devem ser interpretados com cautela devido a limitações associadas a falta de consenso quanto a decisão para o tratamento cirúrgico. O estudo também apresentou uma perda de seguimento elevada atingindo 21% no primeiro ano e 43% no segundo. As perdas foram semelhantes nos dois grupos. O estudo foi planejado considerando para o cálculo amostral uma perda de até 25%, e todos os pacientes avaliados atingiram pontuação máxima dos escores com 1 ano de seguimento, o que faz com que as perdas não invalidem seus achados do ponto de vista estatístico.

O estudo conclui que períodos curtos e longos de imobilização produzem resultados semelhantes para as fraturas proximais do úmero tratadas de maneira conservadora independente do padrão de fratura. Essas fraturas podem ser tratadas com sucesso com um curto período de imobilização de uma semana, a fim de não comprometer a independência dos pacientes por um período excessivamente extenso.

Veja também: Risco de deslocamento secundário em fraturas proximais do úmero tratadas conservadoramente

Autor:

Referências bibliográficas:

  • Martínez R, Santana F, Pardo A, Torrens C. One Versus 3-Week Immobilization Period for Nonoperatively Treated Proximal Humeral Fractures: A Prospective Randomized Trial. J Bone Joint Surg Am. 2021 Aug
  • Tornetta P, et al. Rockwood & Green Fractures in Adults. 9th edition. Lippincott: Williams & Wilkins, 2019.
  • Canale ST, Beaty JH, Azar FM. Campbell’s operative orthopaedics. 13a ed. Philadelphia: Saunders, 2017.
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Publicado por
Rafael Erthal

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