Endocrinologia

Implante hormonal: para quais condições é indicado?

Tempo de leitura: 3 min.

O implante hormonal é um simples tubinho de silástico de 4 a 5 cm implantados sob a pele. Ele é responsável pela liberação de hormônios de maneira progressiva por até um ano, e consegue comportar de 40 a 50 mg de substância hormonal pura. Pode ser de estradiol, testosterona bioidêntica ou progestínico.

A estrutura de silicone deve controlar de forma segura as doses de hormônio liberadas diretamente pelo implante, proporcionando um tratamento eficaz e minimizando os efeitos colaterais. 

Leia também: ENDO 2022: Reposição de testosterona: quando e para quem

Em entrevista ao Portal de Notícias da PEBMED, a médica ginecologista e endócrina pela Santa Casa de São Paulo, Fabiane Berta, ressaltou que o dispositivo deve ser aplicado com indicação adequada e após análise do quadro clínico e exames complementares.

“O implante hormonal é mais uma ferramenta para reposição hormonal com predominância de hormônios bioidênticos (molécula idêntica à própria produção do organismo). Muitas comorbidades ginecológicas são tratadas com eficiência com os implantes hormonais como endometriose, mioma uterino, sangramentos irregulares, cistos ovarianos e a própria reposição hormonal a partir do climatério.”

Contraindicações e riscos 

A contraindicação absoluta acontece em casos de gravidez e doenças agudas vigentes, com tratamento em curso. 

“Efeitos adversos podem ocorrer no início do tratamento e são passageiros durante o período de adaptação ao método. Geralmente, os mais comuns são retenção de líquido, pele oleosa e acne leve. Caso os adversos persistam, é necessário avaliar outros fatores como hábitos alimentares e estilo de vida”, advertiu Fabiane Berta. 

Entre os riscos conhecidos dos implantes hormonais estão os níveis elevados de testosterona, que sobrecarregam o fígado, aumentando a probabilidade de câncer hepático. Já o excesso de estradiol pode elevar o risco de câncer de mama. 

Além disso, a testosterona estimula a produção de glândulas sebáceas, responsáveis pela produção da oleosidade, possibilitando o desenvolvimento de infecções e desencadeando a acne e favorecendo o aumento de pelos. 

“Nem todas as mulheres devem e podem usar implantes hormonais, pois o seu uso inadequado, a falta de especialização do profissional e a procedência do produto podem causar um efeito totalmente oposto ao desejado”, ressaltou a médica. 

Implante hormonal não é chip de beleza

De forma errônea, o implante hormonal está sendo divulgado nas redes sociais e até mesmo em matérias na grande imprensa como um método indicado para a perda de peso, aumento de massa muscular e até cura para celulite.  

Segundo a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), o uso do medicamento por pessoas que não tenham problemas hormonais é contraindicado. Em nota, o Conselho Federal de Medicina (CFM) declarou que tratamentos do tipo só devem ser realizados por razões médicas. 

A endocrinologista lamentou o uso inadequado dos dispositivos. “É uma desinformação ao paciente banalizar uma ferramenta de tamanha eficiência e eficácia no organismo. Resumir o implante hormonal à estética é banalizar meio século de estudos em prol da saúde feminina. Infelizmente, o avanço da ciência não controla o viés do mau uso do método.”

Retirada do implante

Diferente dos implantes biodegradáveis, em caso de sensibilidade ao princípio ativo ou desistência do tratamento por qualquer motivo, o paciente pode interromper o tratamento a qualquer momento. 

Sob a orientação do médico responsável, os implantes hormonais são facilmente removíveis em consultório de forma rápida e indolor. 

“O ideal do acompanhamento após o implante seria após 30 dias para avaliar a resposta metabólico-terapêutica iniciada com a paciente e após três meses novamente dosar os índices hormonais para acompanhamento clínico eficiente”, esclareceu Fabiane Berta. 

Os preços dos implantes hormonais variam de acordo com a patologia a ser tratada e os exames solicitados, com custo médio de 3 mil a 9 mil reais. A tecnologia ainda não está disponível no Sistema Único de Saúde (SUS), nem no Rol da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). 

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Publicado por
Úrsula Neves

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