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Infarto esplênico: em quais condições pensar?

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Infartos esplênicos são classicamente descritos como se manifestando com dor, geralmente de caráter agudo, em quadrante superior esquerdo. Entretanto, podem ser encontrados em quadros menos floridos ou mesmo serem achados tomográficos incidentais.

Após a identificação de áreas de infarto esplênico, a busca por uma etiologia é o próximo passo. Embora um evento cardioembólico seja uma das primeiras hipóteses a vir a mente, o médico que se depara com essa situação deve estar atento para outras possíveis causas.

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Representação gráfica de um coração que pode sofrer infarto esplênico

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Estudo sobre infarto esplênico

Um estudo realizado em dois hospitais norte-americanos, a partir de dados registrados ao longo de cinco anos em prontuário eletrônico, avaliou as principais causas associadas ao diagnóstico tomográfico de infarto esplênico. Todas as imagens foram revistas por radiologista para excluir as que eram sugestivas de processo antigo; as que apresentavam explicações alternativas para anormalidades esplênicas e as que apresentavam artefatos de perfusão.

No total, foram 163 pacientes, com média de 57 anos e maioria composta por mulheres (56%). Em relação aos sintomas, somente 20% apresentaram dor em quadrante superior esquerdo, como seria esperado. Os demais apresentaram dor em outras regiões do abdome (47%) ou mesmo sem dor abdominal (33%).

Resultados

Quarenta por cento dos pacientes apresentavam mais de um fator predisponente plausível para o quadro de infarto esplênico. Em ordem decrescente, as principais condições específicas encontradas foram: eventos cardioembólicos (25%), aterosclerose das artérias celíaca ou esplênica (21%), neoplasias sólidas ou hematológicas (20%), sepse ou choque séptico (17%), doenças inflamatórias ou infecciosas abdominais (16%) e condições pós-operatórias (12%). Outros eventos observados incluíram aneurismas abdominais, trauma, cirrose e suas complicações, anemia falciforme e estados de hipercoagulabilidade. Na série, em 5% dos pacientes não foram encontradas causas que pudessem justificar o quadro.

Entre os eventos cardioembólicos, fibrilação atrial foi a condição clínica mais frequente, seguida de endocardite infecciosa, presença de trombo em VE e insuficiência cardíaca congestiva grave. Já entre as neoplasias, os tumores sólidos abdominais foram os principais, sendo o pâncreas o principal órgão primário acometido. Neoplasias hematológicas, principalmente linfomas, também contribuíram como condições clínicas associadas. Dos 5 pacientes em que tumores não abdominais foram identificados, todos tinham o pulmão como sítio primário.

Estados de hipercoagulabilidade não associados a neoplasia também foram relativamente frequentes, observando-se principalmente tromboses simultâneas em múltiplos leitos vasculares que não puderam ser explicadas por eventos cardioembólicos. Entre as condições inflamatórias ou infecciosas, destaca-se a pancreatite, assim como perfuração intestinal com peritonite e abscessos abdominais.

A mortalidade hospitalar foi de 20%. As condições com maior mortalidade associada foram hipotensão não associada a sepse (55%), dissecção de aorta ou ruptura de aneurisma (40%), sepse ou choque séptico (30%), neoplasias malignas e aterosclerose em artérias celíaca e esplênica (29% cada) e estados de hipercoagulabilidade (27%).

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Mensagens práticas

Somente 20% dos pacientes na série apresentaram o sintoma classicamente descrito de dor abdominal em quadrante superior esquerdo. Dor em outras regiões do abdome também pode estar associada ao quadro.

Eventos cardioembólicos foram a causa mais prevalente, com destaque para fibrilação atrial e endocardite infecciosa. Sendo assim, investigação cardiológica deve necessariamente fazer parte da rotina diagnóstica diante de um quadro de infarto esplênico.

Apesar de mais frequentes, os eventos cardioembólicos estiveram associados a menores taxas de mortalidade intra-hospitalar do que outras condições.

Sepse foi uma condição frequente e com alta mortalidade associada, destacando a importância de seu reconhecimento e tratamento.

Neoplasias sólidas e hematológicas, principalmente as associadas ao pâncreas, também devem fazer parte das hipóteses diagnósticas, assim como pancreatite e abscessos abdominais. História clínica e outros sinais e sintomas podem contribuir para direcionar a investigação diagnóstica.

Autor(a):

Referências bibliográficas:

  • Brett AS, Azizzadeh N, Miller EM, Collins RJ, Seegars MB, Marcus MA. Assessment of Clinical Conditions Associated With Splenic Infarction in Adult Patients. JAMA Internal Medicine. July 13, 2020. doi:10.1001/jamainternmed.2020.2168

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