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paciente internado em UTI com infecção de corrente sanguínea

Infecção de corrente sanguínea em terapia intensiva: por quanto tempo devemos tratar?

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A infecção de corrente sanguínea é comum em unidades de terapia intensiva (UTIs), ocorrendo em aproximadamente 15% dos pacientes internados. É importante que seja repensada a duração dos tratamentos antibióticos. Se tratarmos por muito tempo, podemos selecionar bactérias resistentes na flora, favorecer C. Difficile, aumentar custos e ter eventos adversos. Por outro lado, tratamentos curtos podem levar a falência clínica, recaídas e seleção de bactérias resistentes entre os patógenos.

Por isso, uma palestra no congresso virtual E-ISICEM 2020, realizado pela pelos Departamentos de Terapia Intensiva e Medicina de Emergência do Hospital Erasme (Université Libre de Bruxelles), focou em responder uma questão crucial: por que focar na redução de dias de uso de antibióticos para reduzir o uso excessivo?

Redução de dias de antibiótico em infecção de corrente sanguínea

A estratégia de focar na redução de dias de antibióticos é interessante porque é difícil controlar o início dos antibióticos. Isso porque os diagnósticos nem sempre são claros, as culturas podem demorar ou serem falsamente negativas e a cobertura precoce com antibióticos está associada a sobrevida. Diante destas questões, seria mais acessível reduzir o tempo de uso de antibióticos no curso do tratamento, já que o diagnóstico fica mais claro com o passar do tempo, as hemoculturas estão disponíveis e o curso clínico do paciente é evidente.

A palestrante trouxe alguns exemplos de artigos na literatura que demonstram que tratamentos mais curtos com antibióticos não seriam inferiores, como este artigo publicado do NEJM: Trial of Short-Course Antimicrobial Therapy for Intraabdominal Infection.

Leia também: Uso de IBPs aumenta o risco de infecção da corrente sanguínea na terapia intensiva?

Este estudo foi um ensaio clínico randomizado entre pacientes com infecção abdominal em que o grupo controle foi tratado por uma média de oito dias e o experimental por uma média de quatro dias. Não houve diferença no desfecho primário que era um composto de infecção do sítio cirúrgico, infecção intra-abdominal recorrente ou morte dentro de 30 dias após o procedimento de controle da fonte índice.

Dra. Pong também citou uma metanálise (Duration of antibiotic therapy for bacteremia: a systematic review and meta-analysis) que avaliou 24 ensaios clínicos e concluiu que não houve nenhuma diferença significativa na cura clínica, cura microbiológica e sobrevida entre os pacientes que receberam terapia antibiótica de curta e longa duração.

Take-home message

A palestrante concluiu ressaltando:

  1. A resistência a antibióticos está aumentando.
  2. As opções de antibióticos estão reduzindo.
  3. Reduzir a pressão antibiótica é uma meta global.
  4. Tratamento precoce empírico salva vidas.
  5. Escolher o tratamento com duração mínima efetiva pode reduzir a pressão antibiótica.
  6. Evidências suportam a investigação de duração curta de antibióticos para infecções graves.
  7. Um grande ensaio clínico randomizado internacional pode oferecer novas evidências na duração do tratamento de bacteremia.

Autora:

Referências bibliográficas:

  • Palestra da Dra Sandy Pong (University of Toronto) no e-ISICEM 2020.
  • Sawyer RG, et al. Trial of Short-Course Antimicrobial Therapy for Intraabdominal Infection. The New England Journal of Medicine. 2015; 372:1996-2005. DOI: 10.1056/NEJMoa1411162 https://www.nejm.org/doi/full/10.1056/nejmoa1411162
  • Havey TC, Fowler RA, Daneman N. Duration of antibiotic therapy for bacteremia: a systematic review and meta-analysis. Crit Care. 2011;15(6):R267. doi: 10.1186/cc10545. Epub 2011 Nov 15. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/22085732/

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