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Infecção materna por citomegalovírus: o que é e como investigar?

Tempo de leitura: 3 minutos.

Infecção congênita por citomegalovírus (CMV), quando a infecção materna é transmitida para o feto, é a principal causa infecciosa de perda auditiva neurossensorial e alteração de desenvolvimento neurológico em recém-nascidos. Estudos recentes mostraram que a grande maioria dos casos ocorre devido a uma reativação de uma infecção latente materna, reinfecção por uma nova cepa viral ou ambos, sendo a infecção materna primária a minoria dos casos.

Muitos fatores contribuem para a mortalidade e morbidade da doença, destacando-se:

  • Ausência de programas de “screnning” maternos e fetais
  • Limitada eficácia e alta toxicidade das opções terapêuticas
  • Ausência de vacinação disponível

Classificação da infecção materna por citomegalovírus

– Primária: infecção materna durante a gravidez.

– Não primária: infecção que ocorreu antes da gravidez, caracterizada pela presença de anticorpos positivos antes da concepção. Como outros herpesvírus, CMV estabelece latência após o hospedeiro estar inicialmente infectado. A infecção não primária, também às vezes chamada de recorrente ou secundária, pode ser devida à reativação do vírus latente ou reinfecção com uma nova cepa.

Como diagnosticar?

O grande desafio e dificuldade no diagnóstico encontra-se na inespecificidade e, muitas das vezes (25-50%), na ausência de sintomas. Toda gestante com quadro clínico “influenza like” (rinite, faringite, febre, adinamia, cefaleia, tosse) deve ser investigada para infecção por CMV. O diagnóstico é feito por sorologias específicas para a doença (IgG e IgM).

Indicações de investigação diagnóstica:

1) Gestantes com quadro clínico “influenza/mononucleose like’’.
2) USG fetal realizada durante o pré-natal com alterações fetais sugestivas de infecção congênita por CMV.

Como testar

Para gestantes com sorologias negativas pré-gestacional, o diagnóstico da infecção pelo vírus se dá pela positividade da imunoglobulina específica para CMV (IgG).

Nem sempre a presença de imunoglobulina M (IgM) será útil para o momento do início da infecção porque:

(1) pode permanecer positivo há mais de um ano após uma infecção aguda.
(2) pode reverter de negativo para positivo em mulheres com reativação ou reinfecção de CMV com uma cepa diferente.
(3) pode se tornar positivo em resposta a outras infecções virais, como o vírus Epstein-Barr.

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Quando o estado pré-gestacional é desconhecido, torna-se mais difícil distinguir entre infecção primária, reativação, reinfecção por cepa diferente e doença latente, uma vez que todos estão associados a anticorpos IgG e IgM, e o aumento dos títulos por si só é diagnóstico. Nesse caso, deve-se solicitar o teste de avidez dos anticorpos IgG, permitindo assim, estimar o tempo da infecção. Anticorpos IgG com alta avidez sugere que a infecção primária ocorreu há mais de seis meses e baixa avidez sugere uma infecção primária recente, dentro de dois a quatro meses (tabela 1).

Na reinfecção e reativação o exame não se aplica, pois os anticorpos IgG podem apresentar diferentes afinidades.

Anticorpos CMV Avidez IgG Interpretação
IgM – IgG – Não se aplica Negativo ou infecção muito recente
IgM+ IgG– Não se aplica Repetir em 2 semanas
IgM+ IgG+ Baixa Infecção recente – Soroconversão sugere infecção primária

IgM+ IgG+

Alta Infecção passada- Aumento significativo nos títulos de IgG (dobro) em série sugere reinfecção ou reativação
IgM– IgG+ Alta Infecção passada – A ausência de um aumento significativo nos títulos de IgG em série sugere ausência de reativação ou reinfecção
IgM– IgG+ Baixa Indefinido

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