Infecções maternas e vínculo com o desenvolvimento de atresia biliar na prole

A Atresia Biliar (AB) é uma condição hepática rara, porém de grande impacto, sendo a principal causa de transplante de fígado em crianças.

Apesar das pesquisas abrangentes sobre Atresia Biliar (AB), a causa subjacente da AB ainda não foi definida. De acordo com as teorias atuais, o principal mecanismo envolvido em sua patogênese é inflamação e fibrose dos hepatócitos e colangiócitos, especialmente após exposição a infecções virais durante o período neonatal inicial; inclusive, há estudos que indicam que a AB pode ter início ainda no útero.

No entanto, a relação entre infecções maternas durante a gestação e o desenvolvimento de AB na prole ainda não é bem compreendida. Desta forma, com o intuito de investigar a ligação entre infecções durante a gestação e a ocorrência de AB em recém-nascidos (RN), um estudo de caso-controle foi conduzido na Tailândia e seus desfechos foram publicados recentemente no JAMA Network Open.

Infecções maternas e vínculo com o desenvolvimento de atresia biliar na prole

Metodologia

Neste estudo de caso-controle de base populacional, foram coletados dados do Taiwan National Health Insurance Research Database, vinculados ao Taiwan Maternal and Child Health Database, para reunir informações demográficas e clínicas sobre praticamente toda a população de Taiwan, composta por cerca de 23 milhões de pessoas.

Foram incluídos RN únicos nascidos vivos de díades mãe-bebê. A identificação do grupo de casos, composto por bebês com AB, foi realizada por meio de códigos de diagnóstico da Classificação Internacional de Doenças para AB, juntamente com procedimentos subsequentes de Kasai ou transplante de fígado. O grupo controle, representando aproximadamente 1 em 1.000 da população do estudo, foi selecionado aleatoriamente entre bebês sem AB. Foram excluídos bebês natimortos, mães com gestações múltiplas e ausência de registros de data de nascimento, identificação materna, idade, sexo, idade gestacional ou peso ao nascer.

Também foram excluídos bebês que não receberam o procedimento de Kasai ou transplante de fígado, ou que evoluíram para óbito, antes dos seis meses de vida.

Os dados foram coletados entre 1º de janeiro de 2004 e 31 de dezembro de 2020 e analisados no período de 1º de maio a 31 de outubro de 2023.

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Resultados

Os pesquisadores incluíram 447 bebês com Atresia Biliar (AB), sendo 51,9% do sexo feminino, e 2.912 sem AB como controles, sendo 48% do sexo feminino, considerando uma amostra de cerca de três milhões de bebês. O peso médio ao nascer foi de 3.078 g, a proporção menino/menina foi de 1,06, e a idade média da mãe no parto foi de 30,7 anos. A prevalência anual de AB foi de 1,54 por 100.000 nascidos vivos.

Ao longo do estudo, foram registrados 3.803 episódios de infecção materna pré-natal. A infecção de vias aéreas superiores foi a mais frequente (grupo caso 72,7%, grupo controle 71,5%), seguida por infecção do trato geniturinário, infecção intestinal, gripe, infecção de partes moles e pneumonia.

Uma associação significativamente mais alta com o risco de AB ocorreu nas seguintes condições:

  • Infecções intestinais — Odds ratio ponderada (ORp) = 1,46; intervalo de confiança de 95% (IC 95%), 1,17-1,82);
  • Infecções do trato geniturinário (ORp = 1,22; IC95%, 1,05-1,41);
  • Enterocolite viral pré-natal (ORp = 2,18; IC95%, 1,19-4).

Embora a infecção intestinal materna pré-natal tenha se correlacionado com um risco aumentado de AB na prole, independentemente do tratamento ambulatorial (ORp = 1,45; IC95%, 1,11-1,9) ou hospitalar (ORp = 1,48; IC95%, 1,02-2,14), apenas os casos graves de infecção do trato geniturinário que necessitaram de hospitalização estavam associados a um risco aumentado de AB (ORp = 1,81; IC95%, 1,46-2,25). Por fim, o risco de AB aumentou ainda mais quando a infecção intestinal materna (ORp = 6,05; IC 95%, 3,8-9,63) e a infecção do trato geniturinário (ORp = 1,55; IC95%, 1,13-2,11) ocorreram durante o terceiro trimestre de gestação.

Conclusões

Os resultados sugerem que o mecanismo subjacente da associação entre a infecção do trato geniturinário materno pré-parto e a ocorrência de Atresia Biliar (AB) na prole merece uma exploração mais aprofundada. Além disso, seus desfechos também indicam a importância da vigilância adicional da AB nos RN de gestantes com essas condições.

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