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Infecções que matam rapidamente: quais são e como combatê-las [ABRAMEDE 2018]

Tempo de leitura: 3 minutos.

As infecções hospitalares são as principais causas de sepse e consequente morte de paciente. Causadas por bactérias resistentes ao tratamento, as doenças que costumam fazer mais vítimas fatais, e mais rapidamente, são meningite meningocócica, fasciíte necrosante, pneumonia necrosante e febres hemorrágicas. Este é o tema da palestra “Infecções que matam rapidamente: como identificar a salvar o dia”, do palestrante Christopher Doty.

Como identificar as infecções

A recomendação para identificar a presença dessas infecções é a aplicação de screening para a sepse, que verifica a história clínica, sinais vitais, qual o estado do paciente, e observações de marcadores como o déficit de bases (BE) e a procalcitonina (PCT). No entanto, muitos estudos têm destacado a importância de acompanhar a evolução da procalcitonina ao longo do quadro de sepse como um marcador evolutivo, mas também têm revelado a limitação no uso dessa dosagem na abordagem inicial, cujo valor absoluto não parece ter grande valor.

Infecções que matam rapidamente mais comuns

A fasciíte necrosante ocorre em 3-5 casos por 100 mil pessoas em países desenvolvidos. porém pode chegar a 15 casos por 100 mil pessoas nas regiões mais pobres. A doença causa mortalidade em 33% dos pacientes infectados e caracteriza-se por uma dor desproporcional ao exame físico. O risco para  a fasciíte necrosante é calculado por meio do escore LRINEC.

A infecção tem dois tipos característicos:

  •  Tipo 1 – Polimicrobiana: Aeróbios + anaeróbios; aparece em pacientes com doença subjacente, como diabetes, imunossupressão).
  • Tipo 2 – Monomicrobiana: Sem predisposição. As principais causas são estreptococos do grupo A, MRSA, clostrídio, Vibrio e cocos gram-negativos.

A infecção pode-se apresentar “top down”, começando como uma infecção superficial de pele que se aprofunda, cujas manifestações iniciais são lesões de pele; ou “bottom up” a partir de disseminação hematogênica, acometendo tecidos mais profundos, como o tecido muscular, antes de se tornar superficial, manifestando-se na pele tardiamente, quando o paciente já está em um estágio bem avançado e de pior prognóstico, caso ainda não tenha sido diagnosticado, sendo esta última a forma mais grave. Equimose ou bolhas superficiais e uma infecção profunda devem chamar a atenção do clínico, que pode estar diante de uma fasciíte necrosante, e deve indicar exame tomográfico para identificar a extensão desta infecção profunda.

A pneumonia necrotizante apresenta evolução mais dramática devido à maior virulência do agente etiológico. A infecção bacteriana costuma ser causada por tuberculose, anaeróbios, Nocardia, Klebsiella, estafilococos e pneumococo. O médico deve cogitar o diagnóstico da doença quando o paciente apresentar hipoxia profunda e o quadro infeccioso evoluir rapidamente, em 2 a 4 dias. Nestes casos, deve ser considerada a TC de tórax para identificar a doença.

A pneumonia pneumocócica, causada pelo Streptococcus pneumoniae, tem alta hiperperfusão que intensifica o shunt (distúrbio V/Q) e piora muito rapidamente o quadro clínico. Já a meningite meningocócica, causada pela bactéria Neisseria meningitidis, pode ser identificada pela presença de púrpuras difusas, esta infecção mata 10% dos indivíduos tratados e pode chegar a 50% de mortalidade se não for tratada corretamente.

Entre as febres hemorrágicas mais comuns estão o ebola, doença de Marburg, dengue, febre amarela, zika e o hantavírus, que causam febre acima de 38 Cº e sangramento pelos olhos, boca, nariz, ouvidos e na urina e ou fezes.

Take home messages

A mensagem final da palestra destaca as melhores maneiras de evitar a mortalidade causada pelas infecções que matam rapidamente, como o uso da experiência e intuição do médico e tratamento precoce com antibioticoterapia; e ainda levanta o alerta de que nem sempre a avaliação laboratorial ajuda na identificação dessas doenças e que sinais como dor desproporcional ao exame físico e púrpura devem ser analisados minuciosamente.

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Autor:

Eduardo Cardoso de Moura

Graduação em Medicina pela UFF ⦁ Residência em Clínica Médica pela UFRJ ⦁ Diretor de Conteúdo e Co-fundador da PEBMED

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