Emergências

Influenza x Covid-19: 5 dicas para a abordagem da síndrome gripal

Tempo de leitura: 4 min.

Nos últimos meses temos observado uma queda nos casos de Covid-19, por outro lado, o número de casos de influenza aumenta de forma preocupante no Brasil. Após rápida propagação no estado do Rio de Janeiro, o vírus influenza A (H3N2) já acende a luz vermelha em outros estados como São Paulo, Espírito Santo, Minas Gerais, Bahia, Rondônia e Amazonas. Com relação ao Covid, apesar de uma trégua, ainda há receio de aumento dos casos, principalmente pela nova variante (Ômicron) circulando.

Neste contexto, as emergências estão com muitos pacientes com sintomas gripais e precisamos estar atentos às similaridades e diferenças entre Covid-19 e influenza no momento do atendimento. A seguir, traremos cinco pontos importantes para nos ajudar durante o manejo e orientação dos pacientes.

Influenza ou Covid-19?

  1. Os testes são necessários para diferenciar Covid-19 de influenza

Sabemos que os sintomas de Covid-19 e influenza são bastante parecidos. Os pacientes em ambas as patologias, em geral, podem apresentar febre, calafrios, tosse, dispneia, fadiga, dor de garganta, rinorreia, mialgia, cefaleia, vômitos e diarreia. A alteração ou perda do paladar/olfato, embora seja mais frequente com Covid-19, também pode ocorrer na influenza.

Como os sintomas são semelhantes, os testes laboratoriais são essenciais para a diferenciação dos casos. No Brasil, já temos disponíveis testes combinados que avaliam a presença de influenza A, influenza B e SARS-CoV2.

  1. A coinfecção com os vírus influenza A ou B e SARS-CoV-2 pode ocorrer

Infelizmente, além de nos preocuparmos com as doenças separadamente, também é possível que haja coinfecção. Esta situação deve ser considerada principalmente nos casos de pacientes hospitalizados com quadros respiratórios graves.

Devemos estar cientes de que um resultado positivo do teste SARS-CoV-2 não impede a infecção pelo vírus influenza, assim como um resultado positivo no teste de influenza não impede a infecção por SARS-CoV-2.

Para pacientes hospitalizados com um resultado de teste de influenza positivo, o tratamento antiviral de influenza com oseltamivir deve ser iniciado o mais rápido possível, e os médicos também devem seguir as diretrizes para diagnóstico e tratamento de pneumonia adquirida na comunidade e outras infecções respiratórias, incluindo infecção por SARS-CoV-2, se clinicamente indicado, enquanto se aguarda os resultados do teste de SARS-CoV-2.

Veja mais: Segurança e imunogenicidade da coadministração de vacinas contra Covid-19 e Influenza

  1. Os tratamentos de Covid-19 e influenza são diferentes

Pacientes com maior risco de complicações ou que foram hospitalizadas por Covid-19 ou gripe devem receber cuidados de suporte para alívio de sintomas e evitar complicações, que podem ocorrer em ambos os casos.

Com relação à influenza, no Brasil, temos disponível o oseltamivir (Tamiflu®).O antiviral tem benefícios maiores quando usado dentro das primeiras 24/48h de sintomas, mas pode ter benefício quando iniciado em até dez dias do início dos sintomas. Recomenda-se que as pessoas hospitalizadas com gripe ou com risco aumentado de complicações e com sintomas de gripais sejam tratadas com medicamentos antivirais o mais rápido possível após o início da doença.

Alguns grupos de risco, prioritários para uso de medicação, são: crianças menores de 5 anos, idosos (>60 anos), gestantes, população indígena aldeada, indivíduos menores de 19 anos em uso prolongado de ácido acetilsalicílico, indivíduos que apresentem pneumopatias (incluindo asma), pacientes com tuberculose, imunossupressão associada a medicamentos, neoplasias, HIV/AIDS, IMC>40 kg/m2 em adultos.

Já para a Covid-19, a Anvisa aprovou o remdesivir (Veklury®) em adultos e adolescentes (com idade igual ou superior a 12 anos com peso corporal de pelo menos 40 kg) com pneumonia que necessite de oxigênio suplementar. O medicamento tem preço bastante elevado no Brasil e ainda não está amplamente disponível.

  1. Durante o período de circulação comunitária simultânea de vírus influenza e SARS-CoV-2, o tratamento antiviral empírico da influenza é recomendado

Segundo o Centers for Deasease Control and Prevention (CDC), durante os períodos de cocirculação comunitária de vírus influenza e SARS-CoV-2, o tratamento antiviral empírico da influenza é recomendado o mais rápido possível para os seguintes grupos prioritários:

  • Pacientes hospitalizados com doenças respiratórias;
  • Pacientes ambulatoriais com doença respiratória grave, complicada ou progressiva;
  • Pacientes ambulatoriais com maior risco de complicações da influenza que apresentam qualquer sintoma de doença respiratória aguda (com ou sem febre).
  1. Pacientes com síndrome gripal devem ser orientados com relação ao isolamento

Interpretando cada doença isoladamente, no caso da influenza em pacientes hospitalizados, segundo o CDC, as precauções devem ser implementadas para pacientes com suspeita ou confirmação de influenza por sete dias após o início da doença ou até 24 horas após a resolução da febre e dos sintomas respiratórios, o que for mais longo.

Já no caso do Covid-19, o isolamento é de dez dias após início dos sintomas ou do primeiro teste positivo (em casos assintomáticos). Nos casos que evoluíram com gravidade (síndrome respiratória aguda grave), o isolamento deve durar dez dias, em caso de PCR ter negativado, ou após resolução total dos sintomas em 20 dias.

Em locais de circulação simultânea de influenza e Covid, alguns cuidados adicionais devem ser tomados. As orientações de isolamento acabam variando de acordo com órgãos locais. A prefeitura do Rio de Janeiro trouxe as seguintes recomendações para afastamento em casos de síndrome gripal em geral e esquema vacinal:

  • Casos positivos para Covid-19 ou que apesar do resultado negativo tenham esquema vacinal incompleto, devem ser afastados por dez dias.
  • Caso o paciente tenha esquema vacinal completo para Covid-19 e resultado laboratorial não detectado para SARS-CoV-2 (TR-antígeno e/ou PCR), pode-se usar o tempo de afastamento de cinco dias a partir do início dos sintomas, ou 24h após o término da febre sem uso de antitérmico.

Leia também: O que sabemos sobre a epidemia de influenza do Rio de Janeiro que se espalha em surtos pelo país?

Referências bibliográficas:

Compartilhar
Publicado por
Dayanna de Oliveira Quintanilha

Posts recentes

PEBMED e Saúde Global: gestão de resultados em clínicas e consultórios

No episódio de hoje, saiba mais sobre as vantagens de implantar um modelo de gestão…

29 minutos atrás

Drogas vasoativas: 10 dicas para uso no paciente grave com hipotensão

Hipotensão é uma das condições mais comuns no paciente grave, além de estar associada a…

1 hora atrás

Interrupção do uso de antidepressivo: como diferenciar recaída ou recorrência de síndrome de retirada?

É essencial diferenciar a síndrome de retirada da recaída ou recorrência já que a sintomatologia…

2 horas atrás

Tratamento de vaginose bacteriana: qual a eficácia do gel de fosfato de clindamicina 2%?

Um estudo teve o objetivo de avaliar a eficácia do gel de clindamicina vaginal comparado…

3 horas atrás

“Covid Zero”: políticas mais rigorosas de controle da pandemia pioram a saúde mental da população?

Estudo comparou o grau de restrição das políticas de enfrentamento à covid com escores de…

4 horas atrás

Suplementação de cálcio e estenose aórtica

Estudo mostrou que a suplementação de cálcio está ligada à queda da qualidade da função…

6 horas atrás