Cirurgia

Inibidores SGLT2 e risco cirúrgico: o que fazer?

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Os inibidores SGLT2 são uma nova classe medicamentosa no tratamento do diabetes melito, sendo os representantes mais famosos a empaglifozina, a dapaglifozina e a canaglifozina. Eles atuam no cotransportador de sódio e glicose SGLT2 presente nas células do túbulo contorcido proximal, promovendo glicosúria e natriurese. O resultado final é a redução da glicemia, com quedas absolutas de -0,5 a -0,8% na hemoglobina glicada.

Por outro lado, estes mesmos mecanismos podem ser a porta de entrada para eventos adversos, alguns potencialmente graves e fatais, como a cetoacidose diabética. O que fazer então? Primeiro, vamos conhecer os benefícios e malefícios.

*A cetoacidose é um evento particularmente temido, sendo o motivo da contraindicação para uso dos iSGLT2 em diabéticos tipo 1. Isso porque ela pode ocorrer com glicemias normais, sendo o diagnóstico mais difícil.

 

No paciente com insuficiência renal, deve-se suspender os iSGLT2 quando TFGe < 45 ml/min/m². Além disso, há sinergismo entre a ação diurética e os iSGLT2. Por isso, quando associados, os diuréticos devem ter sua dose reduzida.

Não há consenso sobre o manejo per-operatório dos pacientes em uso de iSGLT2, mas um excelente artigo de revisão recente sugere:

  1. Suspensão 24h antes da cirurgia.
  2. Dosagem da função renal, eletrólitos e gasometria no pré, per e pós-op imediato.
  3. Monitorização glicêmica deve seguir padrão usual, pois o risco de hipoglicemia com iSGLT2 é mínimo.
  4. Atenção à volemia. São pacientes que muitas vezes vão chegar “devendo volume” no centro cirúrgico. Esse efeito pode ser maior quando utilizada pressão positiva, como nas laparoscopias abdominais.

Mas uma dúvida que fica em aberto é se devemos rastrear infecção urinária mesmo em pacientes assintomáticos no pré-operatório. Para esta resposta, temos que aguardar novas evidências.

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Publicado por
Ronaldo Gismondi

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