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bA polifarmacologia, definida como uso de 5 ou mais medicações a longo prazo, é muito comum em pacientes com insuficiência cardíaca. Além dos vários medicamentos presentes na terapêutica padrão da doença, os pacientes fazem uso de diversos medicamentos complementares para tratamento de outros sintomas e doenças no dia-a-dia. Publicação recente da renomada revista Circulation revisita o tema da polifarmacologia na insuficiência cardíaca, identificando os principais medicamentos “vilões” da doença, e que devem ser evitados nestes pacientes, com intuito de diminuir o risco de descompensação clínica.

Anti-inflamatórios não esteroidais: Por seu conhecido potencial de retenção de sódio e água, além de seu efeito em aumentar a resistência vascular periférica e diminuir a resposta a diuréticos, pode aumentar o risco de exacerbação da insuficiência cardíaca, devendo ser evitado em todos os pacientes. Mesmo os agentes seletivos COX-2 apresentaram maior risco de hospitalização, eventos coronarianos e maior mortalidade nos estudos.

Anestésicos:

  • Os halogenados (desflurano, enflurano, halotano, isoflurano e sevoflurano) podem provocar depressão miocárdica, vasodilatação periférica e diminuição da atividade simpática, podendo contribuir para descompensação clínica da IC, sendo classificados, portanto, como de risco maior de exacerbação.

  • Anestésicos intravenosos como o propofol, a dexmedetomidina e o etomidato apresentam menor magnitude na exacerbação da IC, sendo classificados como de risco moderado.

  • A quetamina, por apresentar efeito inotrópico negativo, também é classificado como de risco maior de exacerbação.

Antidiabéticos orais: As recomendações mais atuais de uso de antidiabéticos orais indicam:

  • Metformina: Devido ao seu estímulo ao metabolismo anaeróbico e produção de ácido láctico, o uso de metformina é seguro, nos pacientes com insuficiência cardíaca, apenas em pacientes com função renal > 60 mL/min/1,73m2.

  • Tiazolidinedionas: Por seu efeito edemigênico e de ganho de peso, a rosiglitazona e pioglitazona devem ser evitadas em pacientes com insuficiência cardíaca.

  • Inibidores de DPP-4: Meta-análise de ensaios clínicos randomizados com a classe demonstraram um aumento no risco global de descompensação clínica com o uso de gliptinas. Sendo assim, são classificados como de alta magnitude na indução de IC aguda e, portanto, devem ser evitados.

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Antiarrítmicos: Os antiarrítmicos de classe I (Flecainida e disopiramida) e antiarrítmicos de classe III (Sotalol), bem como a dronedarona, são classificados como de alta magnitude na indução de IC e devem ser evitados.

Antihipertensivos: Bloqueadores de canais de cálcio não dihidropiridínicos (verapamil e diltiazem) e o Minoxidil (vasodilatador periférico) são considerados de alta magnitude na indução de IC aguda, devendo ser evitados. Em menor grau, doxazosina (alfa-bloqueador) e nifedipina também podem precipitar crises.

Antiepilépticos e antidepressivos: Dentre os antiepilépticos e antidepressivos, os medicamentos antidepressivos tricíclicos, o citalopram, a carbamazepina e a pregabalina apresentam potencial de indução de IC aguda e devem ser evitados.

A publicação também indica os principais medicamentos com toxicidade miocárdica:

  • Antraciclínicos: Doxorrubicina, Daunorrubicina, Epirrubicina, Idarrubicina e Mitoxantrona;

  • Antifúngicos: Anfotericina B;

  • Antimaláricos: Cloroquina e hidroxicloroquina;

  • Antiparkinsonianos: Bromocriptina, Pergolida;

  • Antipsicóticos: Clozapina;

  • Antienxaquecosos: Ergotamina, Metisergida;

  • Antimetabólicos: 5-Fluouracil, Capecitabina;

  • Agentes alquilantes: Ciclofosfamida, Ifosfamida, Mitomicina;

  • Imunobiológicos: Bevacizumabe, Imatinibe, Interferon, Interleucina-2, Lapatinibe, Pertuzumabe, Sorafenibe, Sunitinibe, Transtuzumabe;

  • Estabilizador de humor: Lítio;

  • Agentes hematológicos: Anagrelida;

  • Outros agentes quimioterápicos: Lenalidomida;

  • Taxanos: Docetaxel, Paclitaxel;

  • Estimulantes: Anfetaminas e derivados;

  • AntiTNF alfa: Infliximabe, Etanercepte, Adalimumabe e outros.

A leitura do artigo é fundamental para cardiologistas e clínicos, disponibilizamos o link nas referências.

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Referências Bibliográficas:

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Um comentário

  1. o dormonid pode ser usado na ICC?

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