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Irisina surge como esperança no tratamento da doença de Alzheimer

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A Doença de Alzheimer (DA) é a demência mais comum que afeta cerca de 35 milhões de pessoas no mundo. Acomete principalmente a memória, além de outros domínios cognitivos: função executiva, funções visuoespaciais, alterações comportamentais, levando a um importante impacto socioeconômico para os indivíduos, famílias e governos. Um dos mecanismos fisiopatológicos mais estudados e elucidados da DA é a deposição de peptídeos beta amiloides, demonstrada anteriormente ser responsável pelas alterações de memória da doença.

Um grupo de pesquisadores, liderado por brasileiros, fez um longo trabalho de correlação da irisina e a doença de Alzheimer, publicado na edição deste mês da Nature Medicine, uma das revistas mais importantes de medicina translacional.

O que é Irisina?

Irisina é uma miocina, isto é, um peptídeo-hormônio produzido principalmente em células musculares, derivado da clivagem da FNDC5 – uma fibronectina tipo III, localizada nas membranas celulares destas. No momento da prática de exercícios, esta fibronectina – FNDC5 é clivada, gerando como um de seus subprodutos a Irisina.

Inicialmente a Irisina foi reconhecida como importante fator para a mudança da característica de adipócitos para um perfil mais marrom, levando a mudanças na termogênese e perfil metabólico dos mesmos. O grupo responsável pela pesquisa demonstrou que essa miocina tem efeitos muito interessantes na prevenção, no tratamento e quiçá na melhora da Doença de Alzheimer, com um potencial terapêutico factível.

Usando técnicas imunológicas de identificação da Irisina e/ou FNDC5, foi possível concluir que os níveis de Irisina eram muito mais baixos em pacientes com estágio tardio de Doença de Alzheimer, comparado a pessoas da mesma idade com estágio inicial da DA (MCI – Mild cognitive Imparment – e DA leve) e em pacientes controles saudáveis cognitivamente, e que esta redução não estava relacionada com a atrofia e morte neuronais mais presentes nas formas graves da doença.

Em seguida, o grupo conseguiu comprovar que a irisina estava reduzida na Doença de Alzheimer e em hipocampos de modelos animais da doença. Além disso, viram que neurônios maduros expostos a níveis mais altos da irisina são pouco imunorreativos à presença de beta-amiloides.

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Continuando nesta caminhada, também mostraram que a subtração de irisina em hipocampos de ratos piorou a performance cognitiva deles. Quando injetada em níveis altos nos hipocampos, a irisina aumentou a neuroplasticidade e melhorou a memória de ratos com modelo experimental de DA.

O grupo também se enveredou na neurologia translacional para demonstrar que aqueles ratos que foram submetidos a um protocolo de natação tiveram menor impacto na sua performance cognitiva após a exposição a beta amiloides, podendo corresponder a um modelo humano de que o exercício físico pode gerar irisina que chega ao cérebro com possível melhora da performance cognitiva e prevenção de perda de memória.

Conclusão

Em suma, o trabalho demonstra de maneira criteriosa, cuidadosa e metodologicamente impecável que a irisina produzida pelos músculos é um importante fator na prevenção e na melhora da performance cognitiva em indivíduos suscetíveis à Doença de Alzheimer e que pode promover efeitos benéficos mesmo naqueles já doentes. Portanto, há uma probabilidade grande de haver benefício em suplementar este hormônio em pacientes com DA, principalmente naqueles que não são capazes mais de se exercitar, e reitera-se a necessidade e a relevância dos exercícios físicos na prevenção e tratamento de pacientes com Doença de Alzheimer.

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Autor:

Referências:

  • LOURENCO, Mychael V. Eet al Exercise-linked FNDC5/irisin rescues synaptic plasticity and memory defects in Alzheimer’s models. Nature Medicinevolume 25, pages165–175 (2019) https://doi.org/10.1038/s41591-018-0275-4, <disponível em https://www.nature.com/articles/s41591-018-0275-4>

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