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Ivabradina para síndrome de taquicardia postural ortostática

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A síndrome de taquicardia postural ortostática, mais conhecida como POTS (do inglês, postural orthostatic tachycardia syndrome), é caracterizada por aumento da frequência cardíaca (FC) em pelo menos 30 batimentos por minuto (bpm) quando a pessoa fica em pé a partir da posição supina, acompanhada de sintomas como turvação visual, palpitação, dispneia, fraqueza, cefaleia e pré-síncope.

Existem 5 tipos, que podem inclusive se sobrepor: hiperadrenérgico (50% dos casos), neuropático, hipovolêmico, relacionado a hipermobilidade articular e relacionado ao sistema imune. Até o momento, não há medicação com indicação classe I para tratamento desta doença e os pacientes, na grande maioria mulheres jovens, têm acometimento importante da qualidade de vida e funcionalidade.

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Foi feito então um estudo para testar se a ivabradina teria algum benefício no tratamento dos pacientes com POTS do tipo hiperadrenérgico. A ivabradina é usada em casos de insuficiência cardíaca e taquicardia sinusal inapropriada, bloqueando os canais If do nó sinusal, com diminuição da FC sem efeito na pressão arterial.

Ivabradina para síndrome de taquicardia postural ortostática

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Características do estudo e população envolvida

Este foi um estudo duplo cego, randomizado, placebo controlado com crossover dos pacientes, ou seja, todos receberam a ivabradina 5 mg, 2x ao dia, e o placebo, porém em ordens diferentes. Um grupo foi randomizado para receber ivabradina e o outro para receber o placebo por um mês. Após, todos ficavam sem medicação por uma semana e então iniciavam a outra medicação por mais um mês. Todos os pacientes tiveram confirmação do diagnóstico pelo tilt teste e foi dosada a concentração de norepinefrina sérica de acordo com protocolo específico. O desfecho primário foi a mudança da FC após um mês e o desfecho secundário foi a mudança na qualidade de vida.

Resultados

Vinte e seis pacientes foram randomizados e 22 concluíram o estudo, sendo que três saíram por efeitos colaterais da ivabradina e um desistiu durante o cross-over. A ivabradina reduziu a FC de forma significativa (p < 0,05) na posição supina (64,9 x 77,5) e em pé (77,9 x 94,2) e diminuiu o aumento da FC com a mudança de posição (13,1 x 17). Em relação a qualidade de vida, houve melhora significativa no status físico e social. Não houve diferença em relação aos níveis de norepinefrina enquanto os pacientes usaram a ivabradina, porém quando avaliados pacientes que tinham nível muito alto de norepinefrina (> 1000 pg/mL), sua redução foi maior que nos pacientes com nível alto (600 a 1000 pg/dL).

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Conclusão

Apesar de ser um estudo com poucos pacientes, foi o primeiro estudo randomizado e duplo cego com uso de ivabradina para os pacientes com POTS. Houve boa tolerância da medicação na maioria dos pacientes e, além da melhora da FC, como já havia sido observado em alguns estudos retrospectivos, houve melhora significativa da qualidade de vida. Além disso, trouxe a avaliação do nível de norepinefrina, que pode ser útil como método auxiliar para identificar pacientes que teriam maior benefício do uso da medicação. Mais estudos são necessários para confirmar esses achados, avaliar os efeitos do uso da medicação por tempo mais prolongado, seus efeitos colaterais e tolerância e também para avaliar seu efeito nos outros subtipos de POTS.

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