Saúde Pública

Junho Vermelho: Lançada campanha nacional para incentivar doação regular de sangue

Tempo de leitura: 3 min.

O Ministério da Saúde (MS) lançou recentemente a campanha “Doe sangue regularmente. Com a nossa união, a vida se completa” para mobilizar os bancos de sangue de todo o país para promover ações e fortalecer as doações.

Segundo o ministro da pasta, o médico Marcelo Queiroga, em cerimônia de lançamento da campanha, em Brasília, no país são realizadas, em média, 3 milhões de doações de sangue por ano na rede do Sistema Único de Saúde (SUS). “Toda essa ação só é possível porque o SUS é uma política pública muito bem-sucedida. O número de doações também demonstra a solidariedade do povo brasileiro”, disse na ocasião.

Leia também: Doação de sangue e a pandemia de Covid-19

De acordo com o Ministério da Saúde, a taxa de doação de sangue voluntária da população brasileira é de 1,6%, número que está dentro do índice estabelecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Apesar disso, em 2020, devido à pandemia de Covid-19, houve uma redução de aproximadamente 20% no número de doações, especialmente em função da diminuição da circulação de pessoas e do adoecimento de uma parcela da população. Mesmo com essa redução, o país não sofreu com a escassez de sangue em seus hemocentros.

Queda nas doações de sangue

A H.Hemo, maior rede de hemoterapia do Brasil, está com seus estoques de banco de sangue praticamente zerados. De acordo com Gustavo Duarte, diretor médico da H.Hemo, a pandemia da Covid-19 afastou muitos doadores que tinham o hábito de frequentar regularmente os centros coletores.

“As pessoas estão isoladas para diminuir o contágio pelo novo coronavírus, o que é o correto a se fazer, porém, a doação de sangue só pode ser feita de forma presencial. Sem sangue, muitos precisam interromper tratamentos delicados, agravando o quadro clínico”, orientou.

O objetivo é atrair doadores e alertar os interessados em fazer parte desse ato de cidadania, especialmente neste cenário crítico para os bancos de sangue. Gustavo Duarte destacou que as unidades todas estão com rígidos protocolos de saúde para garantir a segurança dos doadores.

Saiba mais: Anvisa revoga restrição de doação de sangue por homossexuais

Os hemofílicos são os mais afetados nesta situação, pois dependem de plaquetas quase diariamente. Um doador de sangue comum ajuda até quatro pessoas em 1/6 de sua doação. Já com as plaquetas conseguimos ajudar até seis pessoas por doação dependendo do número de suas plaquetas.

Plano Nacional de Contingência do Sangue

Através do Plano Nacional de Contingência do Sangue, o Ministério da Saúde realizou o remanejamento de bolsas entre os estados para que não houvesse desabastecimento. Foram remanejadas 2.481 bolsas de concentrado de hemácias entre os hemocentros coordenadores estaduais. Até maio deste ano, foram 185 bolsas.

Neste ano, o Ministério da Saúde já investiu R$1,6 bilhão na Rede Nacional de Serviços de Hematologia e Hemoterapia (Hemorrede). No ano passado, os recursos para a Hemorrede somaram R$1,8 bilhão.

Doação de medula óssea

A pandemia de Covid-19 também afetou as doações de medula óssea, mas o impacto foi maior na quantidade de coletas do que no número de cadastros de doadores.

Todas as pessoas podem ser doadoras de medula óssea, e os requisitos são os mesmos da doação de sangue, com algumas exceções que podem ser discutidas com a equipe do centro transplantador.

Os protocolos para doação de medula óssea também são iguais aos da doação de sangue. No caso da medula, a compatibilidade genética é determinada por um conjunto de genes localizados no cromossomo 6, que devem ser iguais entre doador e receptor.

Para verificar a compatibilidade, é necessária a realização do exame HLA (Human Leukocyte Antigen, em inglês), responsável por codificar as proteínas de superfície que reconhecem e apresentam antígenos. Quando uma pessoa se cadastra para ser doadora, todos os fatores de compatibilidade são analisados através da coleta de sangue.

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Publicado por
Úrsula Neves

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