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‘Libertação da UTI’: o ABCDEF bundle

Tempo de leitura: 3 minutos.

Em 2013, a Society of Critical Care Medicine (SCCM) aprovou e publicou as “Diretrizes de Prática Clínica e Gerenciamento de Dor, Agitação e Delirium em pacientes adultos na Unidade de Terapia Intensiva (UTI)” (Clinical Practice Guidelines for the Management of Pain, Agitation, and Delirium in Adult Patients in the Intensive Care Unit, de Juliana Barr e colaboradores).

Essas diretrizes descrevem as melhores evidências disponíveis para abordar os elementos inextrincáveis do conforto e segurança do paciente – dor, agitação e delirium. Há mais de uma maneira de mudar a prática para implementar essas recomendações e talvez o mais importante para uma equipe seja reconhecer que a mudança é realmente necessária. A SCCM tem investido em um programa de implementação dessas diretrizes: a chamada “libertação da UTI”, que é baseada no ABCDEF bundle.1,2,3

Em que consiste o ABCDEF bundle?

Vamos imaginar uma UTI onde todos os pacientes em ventilação mecânica (VM) estejam alertas, calmos e sem delirium4… um sonho de consumo de todo intensivista! O ABCDEF bundle é uma abordagem contendo seis passos, cujo objetivo é alinhar e coordenar os cuidados do paciente grave3, justamente para que ele se “liberte” o mais rápido possível da UTI.

Podemos interpretar os bundles como “terapias agrupadas”. Eles têm sido propostos, há alguns anos, para garantir que os pacientes recebam cuidados e tratamentos baseados em evidências5.

A

Avaliar, prevenir e controlar a dor

(Assess, Prevent and Manage Pain)

Avaliar a dor pelo menos quatro vezes por plantão utilizando uma escala validada.

Tratar a dor em até 30 minutos após sua identificação e reavaliar.

Utilizar abordagens não farmacológicas e farmacológicas.

Prevenir a dor: administrar analgesia e/ou intervenções não farmacológicas antes de procedimentos.

Primeiro tratar a dor antes de sedar o paciente.

B

Protocolos de despertar espontâneo e de respiração espontânea

(Both Spontaneous Awakening Trials and Spontaneous Breathing Trials)

Consiste em definir um período diário de interrupção da sedação para reorientação de pacientes em relação ao horário do dia e conduzir um protocolo de respiração espontânea com o objetivo de liberar o paciente da ventilação.

C

Escolha de analgesia e sedação

(Choice of Analgesia and Sedation)

Reavaliação, no mínimo uma vez ao dia pela equipe multidisciplinar, da necessidade das intervenções farmacológicas que foram iniciadas para o tratamento da dor e agitação.

D

Delirium: avaliar, prevenir e manejar

(Delirium: assess, prevent and manage)

PARE: considerar sedativos, revisar as medicações e fazer um plano de redução da exposição a drogas.

PENSE (THINK): Situações Tóxicas, Hipoxemia Infecção/sepse nosocomial, Imobilização, Intervenções Nau farmacológicas, K+ ou outros distúrbios hidroeletrolíticos.

MEDIQUE: as recomendações atuais sugerem o uso de medicamentos não benzodiazepínicos.

E

Mobilidade Precoce e Exercício

(Early Mobility and Exercise)

Identificar estratégias de implementação de programas de mobilização precoce por toda a equipe multidisciplinar.

F

Envolvimento da Família

(Family Engagement and Empowerment)

Avaliar a importância da participação dos familiares na UTI.

Familiares podem obter informações através do endereço eletrônico:

http://www.myicucare.org

Fonte: ICU LIBERATION, 2017.

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Autora:

Referências:

  • BARR, J. et al. Clinical practice guidelines for the management of pain, agitation, and delirium in adult patients in the intensive care unit. Crit Care Med, 2013, 41(1):263-306.
  • ICU LIBERATION. The ABCDEF Bundle. Disponível em: http://www.iculiberation.org. Acesso em: 10 jan. 2018.
  • MARRA, A.; FRIMPONG, K.; ELY, E. W. The ABCDEF Implementation Bundle. Korean J Crit Care Med. 2016. Aug; 31(3):181-193.
  • BALAS, M. C. et al. Critical care nurses’ role in implementing the “ABCDE bundle” into practice. Crit Care Nurse. 2012 Apr; 32(2):35-8, 40-7.
  • MORANDI, A.; BRUMMEL, N.; ELY, E.W. Sedation, delirium and mechanical ventilation: the ‘ABCDE’ approach. Curr Opin Crit Care. 2011. 17:43–49.

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