Lorcaserina está sendo retirado do mercado, nos Estados Unidos

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Foi solicitada a retirada voluntária do mercado americano do medicamento lorcaserina, indicado para a perda de peso (Belviq e Belviq XR). O comunicado foi feito após a divulgação de um estudo pós-comercialização realizado com mais de 12 mil pessoas, que revelou um aumento na ocorrência de câncer.

A Food and Drug Administration (FDA) informou através de uma Comunicação sobre Segurança de Medicamentos que os profissionais de saúde devem suspender a prescrição e a administração da lorcaserina aos seus pacientes.

Orientações aos médicos sobre locarserina

Os médicos locais devem entrar em contato com os pacientes que estão fazendo uso da substância para informá-los sobre o aumento da ocorrência de câncer, pedir que suspendam a sua ingestão e indicar outra alternativa para o prosseguimento do tratamento de perda de peso.

A orientação aos pacientes é que as pílulas sejam descartadas. Se possível, é melhor não misturá-las com outras substâncias e colocá-las em um lixo especial.

Estudo revisado

A decisão foi baseada na revisão da FDA do estudo de cinco anos já projetado anteriormente para avaliar o risco cardíaco com o medicamento. No total, 7,7% dos pacientes randomizados para 10 mg de lorcaserina duas vezes ao dia foram diagnosticados com 520 pacientes cancros primários, em comparação com 7,1% dos indivíduos com placebo diagnosticados com 470 cancros, durante um seguimento médio de três anos e três meses. Houve um câncer adicional observado para cada 470 pacientes tratados por um ano.

“Não houve diferença aparente na incidência de câncer nos primeiros meses de tratamento, mas o desequilíbrio aumentou com a duração da lorcaserina”, afirmou a FDA em seu comunicado.

Os cânceres dos tipos pancreático, colorretal e pulmonar estavam entre os diagnosticados. A agência não recomenda a realização de exames especiais de câncer para pacientes que ingeriram lorcaserina.

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Brasil

Aqui no Brasil, a Belviq® (cloridrato de lorcaserina) é comercializada desde 2016.

A substância promove saciedade devido à ativação seletiva que faz nos receptores de serotonina 2C no cérebro, fazendo com que a pessoa se sinta satisfeita ingerindo uma quantidade menor de alimentos.

Um de seus principais benefícios era exatamente na segurança do produto, não sendo uma substância estimulante, nem narcótica. Além disso, mais um diferencial é o fato de o paciente continuar perdendo peso ao longo do tratamento.

A substância foi aprovada como adjuvante de uma dieta reduzida em calorias e aumento da atividade física para controle crônico de peso em pacientes adultos com um índice de massa corporal (IMC) ≥30kg/m² (obesidade) ou ≥27 kg/m² (sobrepeso). Contudo, é necessária a presença de, no mínimo, uma comorbidade relacionada ao peso (hipertensão, dislipidemia ou diabetes mellitus tipo 2) para a sua indicação.

Os eventos adversos mais comumente relatados em pacientes sem diabetes são cefaleia, tontura, fadiga, náusea, boca seca e constipação. Ademais, em pacientes diabéticos, hipoglicemia, cefaleia, dor nas costas, tosse e fadiga costumam ser mencionados.

Os médicos devem lembrar aos seus pacientes que a ingestão do Belviq deve ser associada a uma dieta de redução de caloria e a prática de atividades físicas regular.

*Esse artigo foi revisado pela equipe médica da PEBMED

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