Saúde Pública

Luto perinatal e Covid-19: quais são os cuidados de enfermagem?

Tempo de leitura: 3 min.

A morte perinatal é compreendida como o falecimento fetal, a partir de  22 semanas (natimorto) e neonatal, até 28 dias de vida do recém-nascido.  Dentre as principais causas, estão o diabetes mellitus gestacional, pré eclâmpsia, e mais recentemente, as infecções maternas pelo coronavírus  SARS-CoV-2. Em revisão sistemática e metanálise realizada em 2021,  observa-se que o número de natimortos e, consequentemente, do luto perinatal, na pandemia aumentou,  principalmente em países de média e baixa renda.  

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Luto perinatal

Nesse contexto, os enfermeiros, presentes desde o acompanhamento do pré-natal, desempenham um papel relevante na prevenção e suporte ao  luto perinatal. No entanto, encontram dificuldades para o planejamento do cuidado  diante dessas situações. Na perspectiva das taxonomias e classificações de  enfermagem, diagnósticos de enfermagem como pesar complicado e risco de  pesar complicado, presente na NANDA International; e processo de luto  familiar, processo de luto, e processo de luto disfuncional, na Classificação  Internacional para Prática de Enfermagem (CIPE®), representam possíveis respostas humanas frente ao luto perinatal.  

Diante de tais julgamentos clínicos, os enfermeiros têm utilizado ao longo  do tempo intervenções como: cuidados na interrupção da gravidez, que  incluem o preparo físico e psicológico, administração de medicamentos,  conforme necessário, fornecimento de orientações sobre a reação de luto, e  monitorização dos sinais vitais e clínica-obstétrica; e apoio a expressão de luto,  por meio da escuta ativa e qualificada. 

Contudo, especificamente nos casos de Covid-19, os enfermeiros devem buscar constantemente atualizações de intervenções seguras e  eficazes, para além desses cuidados, focando principalmente na prevenção da  mortalidade perinatal. Dentre os cuidados, estão o isolamento de contatos suspeitos e confirmados para Covid-19, higienização das mãos,  distanciamento social, e a vacinação. 

Atualmente, as vacinas disponíveis no Brasil são a Sinovac/Butantan,  Astrazeneca/Oxford, e Pfizer/BioNTech. As mesmas utilizam a tecnologia de  vírus inativado, vetor viral recombinante, e RNA mensageiro, respectivamente.

No entanto, temporariamente, está suspensa a administração da Astrazeneca em gestantes e puérperas. Além disso, a Nota Técnica nº 651/2021- CGPNI/DEIDT/SVS/MS, de 19/05/2021, prevê a continuidade da vacinação em  gestantes com comorbidades, e a interrupção da vacinação em gestantes sem comorbidades. 

As comorbidades reconhecidas pelo Ministério da Saúde, na Nota  Técnica Nº 1/2021 – DAPES/SAPS/MS, de 15/03/2021, são: diabetes,  hipertensão arterial crônica, obesidade (IMC≥30 Kg/m2), doença  cardiovascular, asma brônquica, imunossupressão, transplantadas, doenças  renais crônicas, e doenças autoimunes. As puérperas e lactantes enquadradas  nesses grupos também devem ser vacinadas, e a amamentação deve ser  incentivada. 

Ressalta-se que as gestantes e puérperas devem ser esclarecidas sobre  as limitações do conhecimento sobre a temática. Dessa forma, a orientação  clara do enfermeiro a gestante, com a exposição dos riscos e benefícios do  imunizante deve subsidiar a escolha livre e informada da mulher para vacinação. E diante de qualquer evento adverso pós-vacinação, o profissional  deve notificá-lo pelo e-SUS Notifica.  

Autora:

Referências bibliográficas

  • BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção Primária à Saúde. Departamento de  Ações Programáticas Estratégicas. Nota Técnica Nº 1/2021 – DAPES/SAPS/MS.  Recomendações referentes à administração de vacinas Covid-19 em gestantes, puérperas e  lactantes, incluindo os esclarecimentos que devem ser fornecidos para tomada de decisão. 15  mar. 2021. 
  • BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de  Imunização e Doenças Transmissíveis. Coordenação-Geral do Programa Nacional de  Imunizações. Nota Técnica nº 651/2021-CGPNI/DEIDT/SVS/MS. Retificação à Nota Técnica nº  627/2021-CGPNI/DEIDT/SVS/MS referente à suspensão temporária da vacinação contra a  covid-19 com a vacina AstraZeneca/Oxford em gestantes e puérperas; interrupção da  vacinação contra a covid-19 em gestantes sem comorbidades e continuidade da vacinação  contra a covid-19 em gestantes com comorbidades. 19 mai.2021. 
  • CHMIELEWSKA, B.; et al. Effects of the COVID-19 pandemic on maternal and perinatal  outcomes: a systematic review and meta-analysis. The Lancet, v. 9, p. E759-E772, 2021.  Disponível em: <https://www.thelancet.com/journals/langlo/article/PIIS2214-109X(21)00079- 6/fulltext#%20>. Acesso em: 18 de junho de 2021.
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Publicado por
Hérica Pinheiro Corrêa

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