Página Principal > Medicina Interna > Manejo de drooling (babação) em pacientes assistidos na UTI
drooling

Manejo de drooling (babação) em pacientes assistidos na UTI

Tempo de leitura: 2 minutos.

Quando a produção de saliva excede a habilidade do indivíduo em transportá-la ao estômago ou mesmo quando há produção de saliva dentro dos padrões de normalidade, mas há uma deficiência na deglutição (disfagia), encontramos quadros como o escape da saliva pela boca, a babação (drooling), por vezes chamada equivocadamente de sialorreia.

A sialorreia, também chamada de hipersalivação, ptialismo ou polissialia, é a produção excessiva de saliva normalmente combinada a distúrbios neurológicos ou doenças raras. O que encontramos na grande maioria dos casos em Unidades de Terapia Intensiva (UTI) é a babação, associada especialmente em pacientes com falha neurogênica na coordenação dos músculos da língua, palato e face, disfunções neuromusculares e/ou sensoriais e quadros neurológicos crônico-degenerativos,  principalmente encefalopatia crônica não progressiva, paralisia cerebral, encefalopatia pós-anóxica, esclerose múltipla, parkinson, esclerose lateral amiotrófica, quadros agudos, como acidente vascular cerebral e traumatismo cranioencefálico, pacientes em ventilação mecânica e alguns casos de pacientes oncológicos.

Leia maisSialorreia: como tratar esse sintoma em pacientes neurológicos?

A saliva tem um importante papel na lubrificação, digestão, imunidade e manutenção da homeostase corporal, desde que sua produção diária seja de ordem de 500 mL a 2 L.  Essa secreção salivar também pode ocorrer por inflamações e infecções orais, doença do refluxo gastroesofágico (DRGE), hérnia hiatal, úlcera duodenal, helmintíases, corpo estranho no esôfago, exposição à toxinas (ex.: mercúrio, iodo, chumbo), neoplasias, efeitos colaterais de medicamentos (por vezes de uso diário), comorbidades, oscilações cognitiva, entre outros.

Quando o escape não vai para fora da boca, ele pode se acumular em região de faringe e/ou laringe podendo permear e invadir as vias aéreas inferiores e aumentar o risco de pneumonia aspirativa. Esse excesso de saliva provoca prejuízo da função mastigatória, interferência na fala, infecções periorais, estomatites, perda de fluidos, eletrólitos e proteínas.

O diagnóstico é essencialmente clínico, tanto da cavidade oral, posição da cabeça e pesquisa dos pares cranianos. O exame da avaliação funcional da deglutição por fibronasofaringolaringoscopia (FEES) auxilia no diagnóstico através da observação da fase orofaríngea da deglutição, sob demanda para avaliar a eficiência da deglutição de saliva e/ou alimentos.

Como tratamento, especialmente nos pacientes assistido em âmbito de terapia intensiva, temos o uso da escopolamina (via oral, sonda nasoenteral ou pela gastrostomia), gel de propantelina (aplicado em face, nas regiões de parótida e glândulas submandibulares e sublingual) e toxina botulínica aplicada no parênquima das glândulas salivares, parótidas e submandibulares.

A indicação é para adultos ou crianças e tem excelentes resultados especialmente se associada à fonoaudiologia.
Todos esses tratamentos precisam levar em conta a intolerância à droga, além de que a toxina é contraindicada em pacientes portadores de Miastenia gravis (vide bula). O uso da atropina não é mais uma escolha, pois ela saiu do mercado brasileiro. Vale lembrar que o tratamento (dose, tempo e escolha) varia de acordo com o quadro clínico do seu paciente.

É médico e quer ser colunista do Portal da PEBMED? Inscreva-se aqui!

Autor:

Referências:

  • https://www.einstein.br/Pages/Doenca.aspx?eid=200

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.



Esse site utiliza cookies. Para saber mais sobre como usamos cookies, consulte nossa política.