Manejo de feridas crônicas: aspectos relevantes e que contribuem para o processo de cicatrização

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Todos nós, independente de sermos profissionais da saúde, pacientes, familiares ou cuidadores, entendemos que o manejo das feridas crônicas é um desafio na área da saúde e é considerado um problema de saúde pública, pois impacta diretamente na qualidade de vida de quem as possui, bem como no risco de infecção, dor, alto custo no tratamento e muitas vezes no aumento do tempo de internação. Mesmo assim, já paramos para nos perguntar de que forma estamos trabalhando para promover mais sucesso no tratamento das lesões ou qual o caminho certo a seguir?

É importante entender que a ferida “fala” conosco, ela nos diz qual o seu atual estado e o que ela precisa para se revitalizar, pois nem sempre a mesma técnica empregada em uma pessoa vai servir para a outra, ou até mesmo vai ser mantida durante todo o tratamento. Contudo, para isso, precisamos exercitar o nosso raciocínio clínico e colocar em prática nossos conhecimentos científicos, experiências de cuidado e utilizar os recursos que nos são ofertados, levando em consideração que muitas vezes os mesmos são limitados, como a falta de padronização de materiais e curativos.

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Cabe ao enfermeiro, em suas atribuições legais, avaliar a prescrever a cobertura que mais se adequada para o tipo de lesão, bem como, o mesmo tem autonomia para abrir clínicas especializadas nessa área do cuidado, pois possui formação e olhar integral ao contexto do paciente.

Manejo de feridas crônicas: aspectos relevantes e que contribuem para o processo de cicatrização

Compreendendo a lesão

O cuidado com a ferida não requer somente realizar o curativo, pois assim estaríamos seguindo o modelo biomédico, centrado no problema, mas sim, devemos levar em consideração pontos chaves, como o historio de saúde do paciente, suas limitações, comorbidades e outras condições de saúde atuais, assim como as medicações em uso, estado biopsicossocial, incluindo condições de moradia e econômicas, hábitos alimentares/riscos nutricionais, condições de mobilidade, entre outros.

Após a realização de uma anamnese detalhada, incluindo os aspectos já mencionados, é necessário que se proceda com o exame físico, que no primeiro momento pode ser geral, até chegar no momento que deve ser voltado para a avaliação da ferida. É imprescindível que o olhar do profissional esteja voltado para as características da ferida, como extensão, profundidade, tipo de tecido (granulação, esfacelo, necrose), presença e características do exsudato, como cor e odor, bordas e região perilesional, edema, rigidez perilesional e dor. Essas informações nos dão subsídio para adotar a melhor terapêutica para o momento e aumentar as chances de sucesso no tratamento.

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A higienização da ferida é um fator muito importante, pois garante que a mesma seja limpa e preparada para receber a cobertura mais adequada. Para a limpeza, recomenda-se o soro fisiológico 0,9%, aquecido e aplicado em jatos com uma agulha 40×12, promovendo uma boa irrigação. Contudo, a solução de Polihexametileno Biguanida (PHMB) é uma excelente aliada e tem sido padronizada em vários serviços de saúde, pois a mesma fornece uma boa limpeza, hidratação e age como antisséptica não citotóxica, removendo agentes microbianos, por isso é muito indicada para feridas crônicas.

Devemos lembrar que todo tecido desvitalizado retarda a cicatrização e por isso deve ser removido, seja por meio do desbridamento autolítico, enzimático, instrumental ou cirúrgico, sendo o último realizado pelos profissionais médicos. A ferida quando limpa e livre de tecido desvitalizado, tem maior potencial de cicatrização, por isso, parâmetros como limpeza (livre de infecção), temperatura ideal, umidade e tempo de troca das coberturas devem ser priorizados.

Após a limpeza, o momento da escolha da cobertura é muito delicado, pois a cobertura inadequada pode não trazer benefícios para a ferida e não colaborar com o processo de cicatrização, e pelo contrário, pode culminar com a piora do caso, resultando em dor, necrose, maceração de bordas, aumento da extensão da lesão e do tempo de internação hospitalar. Frente a isso, o enfermeiro e a equipe médica devem estar atualizados e dotando de conhecimento das coberturas existentes no mercado e disponibilizadas nos serviços de saúde.

Entre as coberturas mais utilizadas, destacam-se os Ácidos Graxos essenciais, a hidrofibra com prata, o alginato de cálcio sem prata e com prata, o carvão ativado com prata, sulfadiazina de prata, o hidrogel, a papaína, curativo hidrocoloide, pasta de hidrocoloide, bota de unna, membranas de celulose e filmes. Em meio a tantas opções, devemos recordar que a ferida “fala” e que sempre haverá uma cobertura mais adequada para o momento. O tempo de troca vai depender de cada cobertura e do comportamento da mesma sobre a ferida (saturação).

Outro ponto importante, é que as bordas devem ser protegidas, para que não sofram maceração, sendo assim, a utilização de cremes barreiras é uma ótima opção. Além disso, a hidratação corporal, seja ela oral ou tópica, deve ser uma prática rotineira de autocuidado e cuidado.

O tratamento de uma ferida crônica envolve um trabalho árduo, porém é importante que ocorra de forma multiprofissional, que o cuidado esteja alinhado em diferentes áreas, como enfermagem, fisioterapia, medicina, nutrição, psicologia, entre outras, pois em alguns casos, o pessoa precisará de intervenção motora, cirúrgica, psicológica e nutricional.

Alternativas

Além do tratamento convencional, atualmente a terapia a laser (laserterapia) tem trazido boas respostas para o reparo/cicatrização de feridas crônicas, o laser de baixa frequência age como um biomodelador nas células e nos tecidos e influencia diretamente na proliferação celular, neoformação, revascularização e como consequência a melhora da circulação sanguínea, fazendo com que o meio fique nutrido e oxigenado. Ainda, possui efeitos benéficos na dor.

Quando associada a técnica de Terapia fotodinâmica (PDT), é ainda mais benéfica, pois a combinação de um agente fotossensibilizador (FS), com luz (laser), gera espécies reativas de oxigênio que são citotóxicos para microorganismos que causam desordem celular. O agente FS mais utilizado atualmente é o azul de metileno, que é aplicado em toda a extensão da lesão e exposto ao laser.

Por fim, em todas as consultas o paciente deve passar por uma nova anamnese focada em alterações que possam ter ocorrido e a ferida precisa ser reavaliada constantemente, pois e terapêutica adotada “ontem” pode não ser ideal para o “hoje” e pode não ser a mesma de “amanhã”. Com isso, um olhar crítico e reflexivo do enfermeiro e de outros profissionais faz toda a diferença no tratamento.

Autor(a):

Referências bibliográficas:

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