Março Amarelo: como o tratamento multiprofissional pode auxiliar nos casos de endometriose

doctor explaining diagnosis to her female patient

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A campanha Março Amarelo é realizada mundialmente a fim de alertar e conscientizar a população sobre a endometriose. A doença que afeta 176 milhões de mulheres em todo o mundo e 6,5 milhões no Brasil, de acordo com estimativas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), pode gerar infertilidade e, em casos mais avançados, doenças como cistite e até câncer.

Endometriose

A endometriose é uma doença enigmática e recebe classificações para tentar identificar a localização das lesões, o grau de comprometimento dos órgãos e a sua severidade.

Embora muitos especialistas utilizem a classificação da American Fertility Society, que divide a enfermidade em mínima, leve, moderada e severa, recentes avanços na pesquisa da doença recomendam uma nova classificação em três diferentes tipos: superficial ou peritoneal, ovariana e infiltrativa profunda.

Lesões de endometriose

A endometriose superficial ou peritoneal se caracteriza por lesões superficiais no peritônio. Quando acontecem isoladamente, podem ser de difícil diagnóstico, pois são como manchas difíceis de serem vistas em exames de imagem.

“As lesões de ovário, geralmente, se manifestam como endometriomas, que acometem ambos os ovários em até 1/3 dos casos. Cerca de 30 % das mulheres que têm endometriomas, desenvolvem também endometriose profunda infiltrativa. É essencial investigar essas pacientes para o diagnóstico preciso e tratamento precoce. Também pode haver endometriose encontrada de forma superficial ou profunda em órgãos distantes da pelve, mais incomuns e potencialmente graves, como lesões no diafragma, músculos da respiração, dentro do pulmão e parede abdominal”, explica a ginecologista Bárbara Murayama, especialista em endoscopia ginecológica e diretora da Clínica Gergin Ginecologia.

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Relação entre endometriose e infertilidade

A endometriose causa a inflamação dos órgãos reprodutivos, reduzindo a sua mobilidade natural essencial para a fertilidade, também alterando a sua função, prejudicando a qualidade da ovulação e do endométrio.

“Todas as aderências causadas pela doença grudam os órgãos. O útero fica fixo, não se contrai de forma adequada para carregar o espermatozoide ao encontro do óvulo e depois o embrião a cavidade. Além disso, as tubas inflamadas, por vezes obstruídas, não transportam adequadamente o óvulo. Há ainda ovários inflamados com lesões. Todo o sistema fica prejudicado”, esclarece a ginecologista.

Novidades nos tratamentos

Os avanços nas técnicas cirúrgicas com o uso da robótica possibilitam que os médicos possam chegar mais profundamente na pelve. Desse modo, retirando as lesões em locais que antes eram inacessíveis.

Para Bárbara Murayama, a visão cada vez mais global da doença, entendendo que o tratamento clínico não é apenas o uso de medicamentos hormonais e, sim, toda uma mudança de estilo de vida que passa por uma alimentação anti-inflamatória, gerenciamento do estresse (com técnicas como meditação) e a prática de atividade física regular. Essas ações, quando tomadas, fazem com que a batalha contra a doença fique menos difícil.

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Orientação clínica

O tratamento multiprofissional juntamente com uma ginecologista deve ter um planejamento global de estratégia baseado do grau da doença, nos sintomas, idade e no desejo reprodutivo da paciente.

“A depender de cada um desses detalhes, traçamos uma estratégia de tratamento que pode passar por uso de hormônios em diversos momentos da jornada da endometriose, que vai desde o diagnóstico até o final da vida reprodutiva-menopausa da paciente, às vezes, até depois. Preferencialmente, o procedimento único e completo com a retirada de todos os focos visíveis, através de cirurgia minimamente invasiva por videolaparoscopia ou cirurgia robótica é o mais indicado”, ressalta a especialista em endoscopia ginecológica.

O tratamento de endometriose também deve incluir:

  • Orientação de alimentação anti-inflamatória, preferencialmente com o acompanhamento de uma nutricionista especializada,
  • Realização de atividade física estruturada com professor de Educação Física e/ou, pelo menos, o aumento de movimentação corporal ao longo do dia;
  • Gerenciamento de estresse com psicoterapia, técnicas de meditação, avaliação da vida da mulher como um todo buscando melhorar o seu contexto de vida;
  • O gerenciamento da dor com medicação, fisioterapia do assoalho pélvico e médico especialista em dor em casos mais graves;
  • Prosseguimento dos exames de imagem específicos regularmente.

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