Medicamento Annita passa a ser comercializado apenas com receita C1

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O medicamento Annita, à base de nitazoxanida, passa a ser comercializado mediante receita médica especial, segundo a publicação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), no último dia 16.

Esse é o mesmo remédio cujo nome não foi divulgado pelo ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), Marcos Pontes, quando informou que a pasta começará a testar em pacientes com Covid-19 um medicamento que, em laboratório, reduziu em 93,4% a carga viral em células infectadas pelo vírus. “Fiz questão de não saber o nome para evitar uma correria em torno deste medicamento enquanto não temos certeza de que ele vai funcionar para isso”, afirmou o ministro Marcos Pontes.

Foram testados 2 mil medicamentos com o objetivo de identificar fármacos compostos por moléculas capazes de inibir proteínas fundamentais para a replicação viral.

Com uso de alta tecnologia como biologia molecular e estrutural, computação científica, quimioinformática e inteligência artificial, os pesquisadores identificaram seis moléculas promissoras que seguiram para teste in vitro com células infectadas com o SARS-CoV-2.

Desses seis remédios pesquisados, os cientistas do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) descobriram que dois reduziram significativamente a replicação viral em células. O remédio mais promissor apresentou 94% de eficácia em ensaios com as células infectadas.

Leia também: OMS lança estudo colaborativo mundial para testar medicamentos contra o coronavírus

Como serão realizados os testes

Os testes com a substância ficarão a cargo do Hospital Vera Cruz, localizado em Campinas, no interior de São Paulo, uma das unidades da holding Hospital Care.

Eles serão realizados em pacientes de ambos os sexos acima de 18 anos em estado clínico não crítico da doença. A internação não poderá ter ocorrido há mais de 36 horas e o infectado deve apresentar insuficiência respiratória (com necessidade do uso de ventiladores ou não).

Transplantados, gestantes e lactantes estarão fora do estudo. Há também restrições para pacientes com problemas hepáticos ou renais, entre outras questões de saúde relacionadas a doenças virais. A conclusão da pesquisa está prevista para junho.

Na metodologia, cada paciente passará por ciclos de 21 dias de estudo. O remédio será ministrado em duas doses por sete dias e o acompanhamento ocorrerá por mais 14 dias. Metade do grupo receberá a nitazoxanida 600 mg e o outro grupo, um placebo.

Segundo o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicações (MCTIC), serão testados cerca de 500 pacientes em sete hospitais militares no Rio de Janeiro, em São Paulo e em Brasília.

Ainda com informações do MCTIC, o remédio não causa efeitos colaterais graves, ao contrário de outros estudos contra o novo coronavírus.

Os possíveis efeitos colaterais previstos são cólica, diarreia, náusea e cefaleia.

Para evitar que o cenário que aconteceu com a cloroquina se repetisse, a Agência publicou uma a nova resolução RDC 372/2020 incluindo a nitazoxanida na lista C1 de medicamentos controlados do Anexo I da portaria 344/1998. No Brasil, outros dois estudos irão pesquisar os efeitos da terapia com nitazoxanida em pacientes com pneumonia grave induzida pela Sars-Cov-2.

Um será liderado pela pesquisadora Patrícia Rocco, na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e outro pelo pesquisador Marcelo Gregório, no Hospital Naval Marcílio Dias.

*Esse artigo foi revisado pela equipe médica da PEBMED

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Úrsula Neves

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