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Medicina à distância: seria o fim dos hospitais?

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Are the hospitais becoming obsolete?” perguntou Ezekiel J. Emanuel, em sua matéria pro jornal The New York Times, cuja resposta foi enunciada logo em seguida:”Hospitals are disappearing(…)That is inevitable and good.

Apesar dos avanços, principalmente nas áreas da Anestesiologia, Cirurgia, Robótica e Radiologia, tais centros encontram-se em declínio por um tempo, enfatiza Emanuel. Segundo o mesmo, motivos para essa descensão se relacionam ao reconhecimento dos seus malefícios, como as infecções nosocomiais e erros médicos frequentes. Assunto novo? Aparentemente não.

Em 2013, anunciou-se uma possível hecatombe dos hospitais. A partir desse período, de acordo com os pontos de vista do gerente-geral do Grupo de Ciências da Saúde e Vida da Intel, chamado Erich Dishman, hospitais se tornariam obsoletos em cerca de 10 anos!

Essa obsolescência foi reputada justamente ao motivo que os elevou ao status quo: a tecnologia. Para Dishman, o progresso futuro levaria os hospitais a serem substituídos por métodos como videoconferências, que permitiriam consultas à distância. Aparentemente, o futuro já chegou: em maio de 2014, uma matéria da BBC mostrou que o cirurgião canadense Mehran Anvari já havia realizado mais de 20 cirurgias, há 400 km de distância dos seus pacientes!

Diante dos inúmeros debates e notícias cibernéticas acerca do tema: afinal, os hospitais estão fadados ao fim?

Sabe-se que tais instituições possuem uma longa história e nem sempre foram considerados “locais de cura”. Na verdade, os hospitais permaneceram marginalizados por anos. Voltados principalmente para os cuidados daqueles financeiramente destituídos ou sem família que os pudessem ajudar, sendo por muito tempo considerados como matadouros.

No século XVIII foram chamados de “the sinks of human life” pelo cirurgião Benjamin Rush, de grande importância sociopolítica para os EUA. Florence Nightingale, a “Dama da Lâmpada”, famosa pela Guerra da Crimeia, pronunciou no século XIX: “talvez pareça estranho enunciar, como primeiríssimo requisito de um hospital, o princípio de que ele não deve causar danos”.

No entanto, com os anos de avanços biomédicos, tecnológicos, assim como investimentos filantrópicos e decisões políticas, gradativamente a importância econômica dos hospitais cresceu, tornando-os então o “Coração da Medicina”. Eles englobam hoje cerca de um terço das despesas médicas norte-americanas – US$ 1,1 trilhão, segundo The New York Times.

Tantas informações diferentes não tornam a pergunta em negrito simples. Enquanto crescem os setores de telemedicina, profissionais como Emanuel, Dishman e Anvari convergem em direção à implacável necessidade de inovação. Esta se mostra cada vez mais indispensável para a sobrevivência de qualquer setor, inclusive dos hospitais. O fim dos mesmos não está certo, porém, é fato que haverá profunda modificação de conceitos.

Segundo artigo dos doutores Jean-Louis Vincent e Jacques Creteur para Critical Care, os hospitais serão menores, mais especializados, humanizados e com colaboradores reduzidos; a telemedicina e a robótica se farão mandatórias; unidades intensivas serão profundamente transformadas, a medicina invasiva, aprimorada, e a mobilização de pacientes antecipada. Tais mudanças convergem para vários dos pontos de vista de Emanuel.

Em seu desfecho, o autor do artigo se nega a tardar o inevitável e incentiva as boas-vindas aos avanços tecnológicos, afirmando que qualquer modificação que traga redução de gastos e benefícios para os pacientes deva ser celebrada. Com essas palavras e um futuro que já é presente, estamos diante de outra pergunta: estaria a Medicina como conhecemos chegando ao final do seu prazo de validade?

Por que o médico deveria ser menos especialista?

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